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Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 14

Sara Lemos

Nunca na minha vida dormi tão mal como nesta noite. A cama parecia feita de espinhos, e meus nervos, prestes a explodir a qualquer momento. Tentava encontrar uma solução para minha vida, mas cada cenário que eu imaginava parecia ainda pior que o anterior.

Estava distante da casa dos meus pais, na mansão do ex da minha irmã — um homem que a odiava tanto que, se a visse pessoalmente, não teria dó de matá-la. E eu não podia me esquecer de que, por carregar apenas o sobrenome da Raquel, Renato Salles me odiava com todas as forças. Ele não sabia que eu nunca fui próxima à minha irmã, nem que minha família me desprezava por causa dela. Na cabeça dele, eu fazia parte de tudo aquilo e agora estava ali, como um bode expiatório, à mercê de sua raiva, pronta para que ele fizesse o que bem entendesse comigo.

— Meu Deus… — murmurei.

Sabendo que não conseguiria encontrar paz, levantei-me e tomei um banho rápido. Mais uma vez vesti um roupão e sentei-me na beirada da cama. Vez ou outra, olhava para a porta que ligava meu quarto ao de Renato, pensando se deveria bater e conversar com ele.

Talvez ele estivesse mais calmo naquele dia e pudesse entender meu lado.

Mas e se não estivesse? E se tivesse passado a noite inteira pensando em um jeito de me torturar, física e psicologicamente? E se enxergasse a Raquel em mim e quisesse acabar com minha vida? Quem me ajudaria? Meus pais? Claro que não.

Pelo que tiveram coragem de fazer comigo, tenho certeza de que não se importariam se eu virasse um sacrifício vivo para livrar a Raquel de qualquer culpa. Eles não me amavam e, com certeza, estavam felizes por terem se livrado de mim. Para eles, eu não passava de um peso naquela casa, algo que servia apenas às suas conveniências: empregada num dia, cozinheira no outro, arrumadeira, passadeira e até mesmo escrava… mas nunca filha. Nunca.

Uma lágrima solitária ameaçou escapar dos meus olhos, mas consegui segurá-la.

Então, uma leve batida na porta me assustou. Levantei-me rapidamente e fui abri-la. Assim que girei a maçaneta e a porta se abriu, me deparei com Odete. Quando ela me viu, abriu um sorriso.

— Bom dia, senhora. Trouxe o café.

— Bom dia, Odete. Muito obrigada.

Dei espaço para ela entrar com a bandeja, e ela repetiu o mesmo ritual da noite passada, arrumando a mesa para que eu pudesse me servir. Enquanto a observava, não pude deixar de notar que, pelo menos naquela casa, estavam me tratando bem — algo que nunca aconteceu comigo no lugar onde nasci e deveria chamar de lar.

Assim que terminou, Odete me lançou um olhar sereno.

— Precisa de alguma coisa, senhora?

— Não, Odete. Agradeço muito pelo que está fazendo por mim.

— Só estou fazendo o meu trabalho. Com licença.

Ela caminhou até a porta, mas quando estava prestes a sair, não consegui resistir.

— Odete!

Ela se virou.

— Sim, senhora?

— Sabe me dizer se o Renato já acordou?

Antes que pudesse responder, a porta se escancarou de vez, revelando a figura de uma senhora alta, elegante, magra, de olhos altivos.

Ela entrou sem pedir permissão, aproximando-se de mim e me analisando como se eu fosse um animal exposto em um zoológico.

14: Sorriso diabólico 1

14: Sorriso diabólico 2

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