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Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 18

Constança virou-se para Odete, com o olhar afiado e cortante, e eu pude perceber que as mãos dela começaram a tremer de pavor.

— E você! — disse, com a voz carregada de autoridade. — Quem deu autorização para você trazer comida para ela?

Odete engoliu em seco. Sabia que qualquer resposta poderia despertar ainda mais a ira de Constança contra ela.

— Eu… eu achei que deveria… — começou, mas parou, receosa, percebendo que estava lidando com alguém que não aceitava desculpas.

— Fui eu quem pediu — disse, metendo-me no meio. Sabia muito bem que Odete havia feito aquilo por mim e não era justo que ela levasse a bronca. — Eu pedi que ela trouxesse.

Os olhos de Constança se voltaram novamente para mim, cheios de desprezo e repulsa. Estava mais do que claro que aquela mulher me odiava com todas as forças, sem nem me conhecer.

— E quem você pensa que é, hein? — rosnou Constança. — Já te disse que aqui você não passa de uma rata! Não tem voz nem autoridade nesta casa!

Meu corpo tremeu, mas forcei-me a manter a postura. Sabia que qualquer sinal de medo seria usado contra mim.

— Eu… eu não sou uma rata — disse, firme, mesmo que minha voz saísse um pouco trêmula.

Constança soltou uma risada fria, cruel, como se meu esforço fosse uma piada.

— Não? — repetiu, inclinando-se para frente, aproximando o rosto do meu. — Aqui, você só é aquilo que eu permito que seja. E, por enquanto, não passa de um nada.

Odete permaneceu quieta, com o olhar preocupado. Cada músculo do corpo dela denunciava medo. Eu sabia que a empregada não tinha culpa, e o que mais me irritava era que estava sendo punida por algo que Renato e minha família indiretamente permitiam.

— Você vai aprender rápido, feiosa — continuou Constança, recuando um pouco, mas mantendo o tom ameaçador. — Que aqui não há espaço para insolência. Cada ação sua será observada, julgada e... corrigida.

Engoli em seco, tentando não chorar. Cada palavra dela era uma lasca atravessando meu peito, mas havia algo dentro de mim que se recusava a se curvar por completo.

— O que a senhora está fazendo é uma injustiça — disse eu.

— Injustiça foi o que a vagabunda da sua irmã fez com o meu filho — rebateu Constança. — E quer saber de uma coisa? Eu não quero escutar a sua voz nem olhar para a sua cara feia. Se está com tempo para conversas, é porque seu trabalho aqui acabou. Lorena! — gritou, esperando que a governanta aparecesse à porta.

Assim que Lorena surgiu e observou a cena à sua frente, perguntou:

— Sim, senhora?

— A feiosa está desocupada. Creio que tenha um serviço a mais para ela.

Engolindo em seco, Lorena assentiu.

— Sim, senhora. É hora dos porcos comerem — revelou. — Acho que podemos dar essa função para a Sara.

— Ótimo — disse Constança, com um sorriso maquiavélico. — Não creio que haja uma função que combine mais com ela.

Ao dizer isso, Constança fez menção de sair, mas, quando estava prestes a atravessar o batente da porta, parou e virou-se novamente.

— Como assim? — perguntei, confusa.

— Ah, me desculpe — disse ele, fazendo um gesto com as mãos. — Não quis te ofender. Só estou surpreso. Achei que a cuidadora dos porcos seria uma pessoa mais velha e com roupas apropriadas.

— Compreendo — respondi, mantendo a calma.

— Não é por nada, moça, mas essa roupa que você está usando é o uniforme das empregadas que trabalham na casa grande, não de quem vai fazer serviços pesados.

Sorri de forma conformada, tentando não demonstrar o quanto estava incomodada com tudo aquilo.

— Tudo bem — murmurei. — Posso me adaptar.

Ele acenou, aparentemente satisfeito com a resposta, e me convidou para entrar na caminhonete. O caminho até o chiqueiro demorou uns cinco minutos. O capataz carregava no veículo ferramentas e baldes, e eu segui em silêncio, apenas observando a paisagem com a sensação de humilhação aumentando.

Quando cheguei ao local, o cheiro forte e o calor sufocante me atingiram imediatamente. Olhei para os porcos, que agitavam suas cabeças famintas, e respirei fundo. Não havia mais tempo para lamentações, precisava começar a trabalhar.

Peguei o balde de ração e comecei a distribuir para os animais, cada movimento cansativo me lembrava de que não tinha escolha. As minhas mãos começaram a suar, misturando-se à sujeira do piso, e o uniforme apertado, que antes me pareceu apenas desconfortável, agora estava sujo e fedorento.

Enquanto trabalhava, não pude deixar de pensar em meus pais e em como eles estavam alheios a tudo aquilo. A raiva e a frustração cresciam dentro de mim, mas eu sabia que, no momento, a melhor forma de sobreviver era seguir ordens e manter a cabeça baixa.

O sol estava alto, e o suor escorria pelo meu rosto. Cada vez que levantava o balde ou limpava o chiqueiro, sentia o odor forte impregnar ainda mais a minha roupa, tornando o trabalho ainda mais desagradável. Ao longe, eu via o capataz que veio comigo, consertando uma cerca ali perto. De vez em quando, percebia que ele parava o que estava fazendo para me observar, e cada vez que isso acontecia, um arrepio percorria minha espinha.

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