Constança virou-se para Odete, com o olhar afiado e cortante, e eu pude perceber que as mãos dela começaram a tremer de pavor.
— E você! — disse, com a voz carregada de autoridade. — Quem deu autorização para você trazer comida para ela?
Odete engoliu em seco. Sabia que qualquer resposta poderia despertar ainda mais a ira de Constança contra ela.
— Eu… eu achei que deveria… — começou, mas parou, receosa, percebendo que estava lidando com alguém que não aceitava desculpas.
— Fui eu quem pediu — disse, metendo-me no meio. Sabia muito bem que Odete havia feito aquilo por mim e não era justo que ela levasse a bronca. — Eu pedi que ela trouxesse.
Os olhos de Constança se voltaram novamente para mim, cheios de desprezo e repulsa. Estava mais do que claro que aquela mulher me odiava com todas as forças, sem nem me conhecer.
— E quem você pensa que é, hein? — rosnou Constança. — Já te disse que aqui você não passa de uma rata! Não tem voz nem autoridade nesta casa!
Meu corpo tremeu, mas forcei-me a manter a postura. Sabia que qualquer sinal de medo seria usado contra mim.
— Eu… eu não sou uma rata — disse, firme, mesmo que minha voz saísse um pouco trêmula.
Constança soltou uma risada fria, cruel, como se meu esforço fosse uma piada.
— Não? — repetiu, inclinando-se para frente, aproximando o rosto do meu. — Aqui, você só é aquilo que eu permito que seja. E, por enquanto, não passa de um nada.
Odete permaneceu quieta, com o olhar preocupado. Cada músculo do corpo dela denunciava medo. Eu sabia que a empregada não tinha culpa, e o que mais me irritava era que estava sendo punida por algo que Renato e minha família indiretamente permitiam.
— Você vai aprender rápido, feiosa — continuou Constança, recuando um pouco, mas mantendo o tom ameaçador. — Que aqui não há espaço para insolência. Cada ação sua será observada, julgada e... corrigida.
Engoli em seco, tentando não chorar. Cada palavra dela era uma lasca atravessando meu peito, mas havia algo dentro de mim que se recusava a se curvar por completo.
— O que a senhora está fazendo é uma injustiça — disse eu.
— Injustiça foi o que a vagabunda da sua irmã fez com o meu filho — rebateu Constança. — E quer saber de uma coisa? Eu não quero escutar a sua voz nem olhar para a sua cara feia. Se está com tempo para conversas, é porque seu trabalho aqui acabou. Lorena! — gritou, esperando que a governanta aparecesse à porta.
Assim que Lorena surgiu e observou a cena à sua frente, perguntou:
— Sim, senhora?
— A feiosa está desocupada. Creio que tenha um serviço a mais para ela.
Engolindo em seco, Lorena assentiu.
— Sim, senhora. É hora dos porcos comerem — revelou. — Acho que podemos dar essa função para a Sara.
— Ótimo — disse Constança, com um sorriso maquiavélico. — Não creio que haja uma função que combine mais com ela.
Ao dizer isso, Constança fez menção de sair, mas, quando estava prestes a atravessar o batente da porta, parou e virou-se novamente.
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Os comentários dos leitores sobre o romance: Esposa substituta: Prometo te odiar!