Vendo que estavam sozinhas na lavanderia, Lorena encarou Odete com expressão nervosa. Seus olhos logo se fixaram na bandeja com o prato que provavelmente havia trazido comida para Sara.
— Por que ousou passar por minhas ordens? — perguntou, visivelmente nervosa.
— Eu só fiquei com pena dela, Lorena — respondeu Odete.
— Não devia sentir nada por ela, ainda mais quando você coloca seu trabalho em jogo.
— Ela estava sem comer até agora, devia ver como estava faminta quando cheguei aqui.
— Eu sei, Odete — retrucou Lorena —, mas foram ordens da dona Constança. E você sabe muito bem que, quando ela é contrariada, acaba descontando a sua ira em quem está ao seu redor, e, no caso, sabe que vou ser eu quem vai acabar escutando suas reclamações o dia todo.
— Me perdoe — respondeu. — Eu simplesmente não consegui ver tudo acontecendo e não fazer nada.
Mesmo não gostando de Sara, Lorena sabia que Odete tinha razão. Não era justo deixar alguém sem comer.
— Tudo bem, eu não vou mais discutir com você. No entanto, se for fazer isso novamente, tente ser mais discreta — disse ela, antes de se virar e sair dali.
Ao sair da lavanderia, Lorena deu algumas ordens para as outras empregadas da casa e depois caminhou em direção ao quarto de Renato. Sabia que havia algumas coisas ali dentro para colocar em ordem e, por mais que houvesse inúmeros funcionários na casa, havia uma função da qual ela não abria mão: cuidar pessoalmente das coisas do chefe.
Quando entrou no quarto, viu algumas peças de roupas jogadas no chão do closet. Pegou uma delas, aproximou do nariz, fechou os olhos e inalou o perfume do chefe. Ela amava aquele cheiro, tanto que havia comprado um perfume igual e o mantinha escondido no quarto. Todas as noites, antes de dormir, passava o aroma em seu corpo e no travesseiro, imaginando que Renato estivesse ali com ela.
Havia algo quase doentio naquele gesto: não era somente admiração, mas uma necessidade de sentir a presença do chefe mesmo quando ele não estava ali.
Ela passou a mão pela roupa delicadamente, quase como se estivesse acariciando a pele de Renato, sentindo uma pontada de desejo misturada à devoção. Cada pequeno detalhe do quarto, cada objeto, cada aroma, alimentava aquela obsessão silenciosa que a consumia por anos.
Um sorriso sutil se formou em seus lábios, enquanto a respiração se acelerava. Lorena sabia que aquele sentimento não era saudável, mas não conseguia se controlar. A cada noite, imaginava Renato ali, próximo, olhando-a como sempre desejou.
Desde muito pequena, quando seu pai começou a trabalhar para a família de Renato, Lorena o conheceu. No começo, era bem tímida por estar em um lugar desconhecido, mas a amizade dele a fez gostar do local.
Os dois cresceram juntos, até que os pais de Renato se separaram, e ela o viu indo embora com a mãe. Toda a sua vida parecia ir junto, e o medo de nunca mais vê-lo a desesperou de tal forma que quase se sentiu louca.
Passados alguns anos, porém, ela descobriu que o patrão, Evaristo Salles, havia deixado a casa de campo para Renato. Graças a isso, ela voltou a sentir felicidade. Embora Renato não visitasse muito no início, com o tempo começou a passar mais dias por lá, e cada momento de sua presença a deixava mais feliz.
No entanto, à medida que Renato crescia, tornava-se mais sério e distante, e a antiga amizade que tinham começou a se dissipar. Tudo só piorou quando o pai de Lorena faleceu, e Renato quis mandá-la embora da fazenda. Foi então que ela pisou firme, chorou aos seus pés e implorou para ficar, recusando-se a sair.
Ele hesitou, sabendo que aquele lugar seria como uma prisão para ela, já que a fazenda ficava num ponto isolado e pouco visitado. Lorena, por ser jovem, deveria ir morar com a tia para tentar seguir a sua vida. Mesmo assim, continuou insistindo, dizendo que amava aquele lugar e queria viver ali.



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