Sara Lemos
O céu já estava escurecendo quando senti minhas vistas ficarem turvas. Sentia-me fraca e debilitada, já que não havia comido nada depois da refeição que Odete me trouxe. Além disso, meu estômago revirava por causa do cheiro forte daquele lugar.
Sentindo minhas pernas tremerem, percebi que estava prestes a cair na lama, quando de repente braços fortes me seguraram, impedindo que eu fosse de encontro ao chão. Ao erguer o olhar, vi que o capataz que me acompanhava me segurava firme pela cintura.
— Você está bem? — perguntou, com tom preocupado.
— Não… não estou — respondi, sincera.
— Por acaso, você comeu alguma coisa?
Apenas balancei a cabeça em negação. Ele me olhou com preocupação e, sem pedir permissão, colocou um dos meus braços sobre o ombro e me ergueu no colo, tirando-me dali.
Aquilo me deixou desconfortável, mas eu não sentia forças para resistir.
Ele me carregou no colo por alguns metros, até me colocar numa espécie de banco de madeira improvisado que havia por ali. Depois, afastou-se e voltou com um balde de água.
— Vem, se lave aqui — disse ele.
Meio envergonhada, me levantei e fiz o que ele disse. Confesso que, ao lavar minhas mãos e o rosto, senti um alívio; estavam cobertos de sujeira e o gesto trouxe um pouco de conforto.
Ele se afastou novamente, caminhou até a caminhonete e voltou com um pequeno pote.
— Tome, tem um pedaço de bolo aí.
Eu poderia ter recusado, mas estava morta de fome. Somente ergui a mão e peguei o pote, comendo o bolo rapidamente. Enquanto fazia isso, notei que ele me observava com curiosidade.
— Você devia trazer algo para comer na próxima vez, ainda mais se for passar o dia todo aqui.
Eu o encarei e vi que ele falava sério, mas não tive coragem de contar o que estava realmente acontecendo comigo.
— Eu sei. — Foi o que consegui responder.
— Acho que por hoje seu serviço já deu. Termine de comer que vou te levar de volta para o casarão — disse ele.
Assenti, agradecida, e comi depressa. Depois, entramos na caminhonete e voltamos para a casa principal. Quando desci, olhei pela janela do carro e não pude deixar de agradecê-lo pelo gesto.
— Obrigada por tudo.
Ele apenas assentiu, dizendo:
— Apenas descanse.
Depois disso, ele saiu com o carro dali.
Após observar o carro sumir entre as árvores, entrei na casa e notei o silêncio; agradeci mentalmente que ninguém estivesse ali. Caminhei em direção ao meu quarto, mas, quando estava prestes a abrir a porta, ouvi a voz grave de Constança do outro lado do corredor:
— O que pensa que está fazendo? — A voz dela soava ameaçadora.
Me virei para ela e respondi:
— Já é noite, estou indo descansar.

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