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Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 21

Renato Salles

Eu já não sabia quantos dias haviam se passado desde que cheguei àquele lugar. O cheiro forte da bebida me deixava leve, quase flutuando, e a cada prostituta que entrava no meu quarto nascia em mim um desejo estranho, não de prazer, mas de me satisfazer como se aquilo fosse uma forma de vingança por todo o tempo em que fui fiel à desgraçada da Raquel.

Naquele lugar, eu já não sabia distinguir se era dia ou noite. As horas pareciam se arrastar e, ao mesmo tempo, desaparecer. Não queria sair dali, porque sabia que, assim que cruzasse a porta da rua, a realidade voltaria a me atingir com força, me lembrando do quanto fui idiota — enganado pela mulher que me jurou amor eterno e pelo homem que dizia ser meu melhor amigo.

— No que está pensando, benzinho? — perguntou a prostituta ao meu lado, percebendo que eu encarava o teto há tempo demais.

— Em nada — respondi, sem emoção.

Ela me observou em silêncio por alguns segundos, como se tentasse decifrar o que havia por trás da minha voz. Depois, aproximou-se, encostando o corpo ao meu, e deixou um beijo lento em meu pescoço.

— Se estiver entediado, posso dar um jeito nisso — sussurrou, num tom provocante, enquanto seus dedos deslizavam sobre o lençol, à procura de uma reação que eu já não tinha força para sentir.

Afastei a mão dela com calma.

— Não precisa — murmurei, virando o rosto. — Só quero ficar quieto um pouco.

Ela franziu os lábios, sem entender.

— Está mesmo me recusando? — provocou, tentando chamar minha atenção. — A maioria não perde uma oportunidade de ficar uma hora comigo.

Soltei um riso curto e amargo.

— Pois é. Mas eu não sou a maioria.

Ela se deitou de lado, me observando em silêncio. O olhar dela misturava curiosidade e incômodo, como se quisesse descobrir o que havia de errado comigo.

— Quer conversar? — Ela perguntou, e aquilo me fez rir.

— E putas também conversam? — retruquei, com ironia, sem disfarçar o deboche.

Ela arqueou uma sobrancelha, indiferente à provocação.

— A gente faz o que o cliente quiser — respondeu, com uma calma que me irritou ainda mais. — Alguns pagam para transar, outros só para desabafar.

Fiquei em silêncio por um momento, encarando o teto. A risada que dei antes pareceu voltar para mim como um eco amargo. Ela não parecia ofendida, apenas cansada, como quem já ouviu o mesmo tipo de desprezo tantas vezes que deixou de doer.

— E o que você quer? — perguntou, quebrando o silêncio. — Falar ou fingir que nada está te incomodando?

Virei o rosto para ela, finalmente.

— Quero esquecer — respondi. — Mas parece que nem isso sei fazer direito.

— Deve ter sido uma mulher, não é? — perguntou depois de um tempo. — Sempre é.

Desviei o olhar, sem confirmar nem negar.

— Vá dormir — murmurei, puxando o lençol até o peito.

Mas ela insistiu, aproximando-se mais uma vez.

21: Semanas 1

21: Semanas 2

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