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Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 22

Sara Lemos.

Já fazia uma semana que eu estava trabalhando naquele chiqueiro, e, embora meu corpo deixasse claro que não fora feito para aquilo, ninguém parecia se importar. Ninguém, exceto Humberto, o capataz que sempre me levava até lá e permanecia comigo durante o dia.

No começo, eu sentia medo dele. O jeito calado, o olhar atento demais… tudo me deixava desconfortável. Mas, com o passar dos dias, percebi que havia algo diferente em Humberto. Ele não me observava por desconfiança, mas por cuidado. Era um homem de poucas palavras, mas parecia entender o que eu sentia, mesmo quando eu não dizia nada.

Todos os dias, na hora do almoço, nós nos sentávamos embaixo de uma macieira que ficava nos fundos da propriedade. Às vezes conversávamos sobre coisas simples, o tempo, o trabalho, o gado. Outras vezes, apenas ficávamos em silêncio, dividindo o mesmo descanso, como se aquele momento fosse o único respiro de humanidade que ainda existia ali.

— Por que você não procura outro trabalho? — ele perguntou, enquanto tomávamos o café que ele havia trazido para a tarde.

— Eu bem que queria — respondi com um sorriso fraco, tentando disfarçar o nó que se formava na garganta.

— O que te impede, Sara? — insistiu ele, com o olhar sincero e curioso de quem realmente queria entender.

Respirei fundo. Por um instante, hesitei. Mas havia algo na voz dele que me deu coragem, talvez por ser o único ali além de Odete, que parecia me enxergar como uma pessoa.

— Estou aqui forçada — confessei, quase num sussurro. — Meus pais me mandaram no lugar da minha irmã… e o Renato, junto com a mãe dele, me colocaram aqui como castigo. Por algo que eu não fiz.

O silêncio que se seguiu foi pesado. Vi a expressão de Humberto mudar na hora. Ele parou de mastigar, deixou o pão sobre o prato e fechou os punhos, travando o maxilar. Era claro que não imaginava que meu problema fosse tão grave.

— Então é isso que estão fazendo com você… — murmurou, com os olhos fixos no chão. — Isso não está certo, Sara.

— Sei que não está, mas eu não sei o que fazer — respondi, sentindo minha voz sufocar. — Estou neste lugar isolada, sem saber como fugir, e mesmo que conseguisse, nem sei para onde iria. Minha família parece nem se importar comigo.

Humberto respirou fundo e, tomado por indignação, bateu o punho no chão.

— Isso é um crime! — disse, com os olhos faiscando. — Não acredito que o senhor Renato esteja fazendo isso com você.

Soltei um riso sem humor, doloroso.

— Pois acredite se quiser, ele está — respondi, encarando o vazio à minha frente. — E ele é tão covarde, que desde que me colocou aqui nunca mais apareceu. É como se me evitasse.

— Talvez ele não esteja na fazenda — Humberto tentou argumentar, como se procurasse uma justificativa que fizesse sentido.

Balancei a cabeça, negando de imediato.

— Não acredito nisso. A própria Lorena me contou que ele está ciente de tudo o que estão me fazendo.

O silêncio que se seguiu pareceu sufocar o ar entre nós. Humberto desviou o olhar, claramente perturbado, e por um momento achei que ele fosse levantar e ir embora. Mas, em vez disso, ele murmurou, bem baixinho:

— Então é hora de alguém fazer alguma coisa.

A fala dele me deixou confusa.

— O que quer dizer com isso? — perguntei.

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