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Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 23

Renato Salles

Minha cabeça latejava, como se cada pensamento fosse um golpe rugindo no meu crânio. Me levantei e caminhei até o banheiro do quarto onde estava hospedado. A água fria do chuveiro caiu sobre mim, tentando lavar algo que não saía, nem o cansaço, nem a culpa. Tomei um banho rápido, apenas o suficiente para afastar o torpor, e depois encarei meu reflexo no espelho.

A barba por fazer me deixava com um ar ainda mais desgastado, e os olhos fundos denunciavam as noites mal dormidas. A aparência que eu havia cuidado com tanto zelo para o casamento agora estava destruída, tão arruinada quanto o resto da minha vida.

Peguei o celular e verifiquei se havia alguma notícia sobre Raquel, mas nada. Era como se ela e Alessandro tivessem sumido do mapa. A cada vez que pensava nos dois juntos, sentia a raiva crescer de novo, queimando por dentro. A humilhação me corroía, e imaginar as pessoas comentando pelas costas, me chamando de corno, só alimentava ainda mais o ódio que eu tentava conter.

Consciente de que precisava fazer alguma coisa, decidi que já estava na hora de sair daquele quarto e encarar a realidade. Antes de deixar o banheiro, digitei uma mensagem curta para o detetive que eu havia contratado: “Quero respostas logo. Estou perdendo a paciência.” Enviei sem pensar duas vezes.

Respirei fundo, tentando recuperar o controle, e empurrei a porta. Assim que saí, dei de cara com Karol e mais duas das amigas dela.

As três estavam usando uma combinação de lingerie curta e provocante, rindo como se nada no mundo pudesse atingi-las. Por um instante, fiquei paralisado, ainda com o celular na mão. Não precisou de muito para o meu corpo reagir, aquela visão era realmente tentadora.

Karol percebeu de imediato o efeito surpresa que me causou e me olhou com o olhar insolente, de quem estava ali para me provocar a qualquer custo.

— O que é isso? — perguntei, arqueando uma de minhas sobrancelhas.

— Percebi que você estava meio entediado, então decidi trazer reforços — Karol respondeu, fazendo uma cara de descarada que só ela sabia fazer.

Mais uma vez, as mulheres deram uma risadinha lasciva, conscientes de que estavam mexendo com o meu ponto fraco. Uma delas, alta e loira, aproximou-se com passos lentos e o olhar fixo nos meus olhos, como se quisesse me hipnotizar.

Havia algo em sua postura que confundia provocação e domínio, e, por mais que eu soubesse que já tinha ultrapassado todos os limites naquele lugar, não consegui resistir. O cheiro do perfume dela, doce e intenso, misturado ao som abafado das risadas das outras duas, me puxava de volta para o mesmo abismo do qual eu tentava sair.

Quando parou bem à minha frente, próxima o bastante para que eu sentisse o calor de sua respiração, ela abriu um sorriso provocador.

Mas parecia que elas não entendiam, ou talvez simplesmente não quisessem entender que eu já estava no meu limite. As três se entreolharam e, com risadinhas excitadas, avançaram ao mesmo tempo. Suas mãos me agarraram, seus corpos se colaram ao meu, e logo fui empurrado de volta contra a cama.

Elas se moviam como predadoras famintas, cada toque mais ousado do que o anterior. O quarto girava, o som abafado de risos e sussurros se misturava ao meu próprio desespero. Eu sabia que aquilo era demais, que já tinha passado de todos os limites, mas a fúria, o álcool e o desejo distorcido de esquecer o que me destruía me deixaram cego.

Então, simplesmente, me deixei levar.

As três estavam ali, aos meus pés, dispostas a fazer qualquer coisa para me agradar, e por um instante, deixei que o instinto falasse mais alto que a razão. Tudo o que eu queria era apagar o vazio que me consumia por dentro.

Eu sabia que precisava ir embora, que não podia continuar naquele lugar, mas decidi que só partiria depois de silenciar o que queimava dentro de mim, a raiva, a frustração, o desejo confuso de vingança.

Enquanto as vozes e os risos ecoavam ao meu redor, fechei os olhos e deixei que a confusão tomasse conta. Talvez, no fundo, eu só quisesse não sentir mais nada.

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