Renato Salles
Aquelas mulheres sabiam exatamente o que estavam fazendo quando entraram no meu quarto. E, mesmo que uma parte de mim quisesse ir embora, outra — mais sombria, mais fraca — desejava ficar. Então, deixei que o momento me dominasse e fiz tudo o que quis, sem pensar em nada além da sensação imediata de poder, esquecimento e prazer.
Não sei quanto tempo ficamos ali, os quatro, naquele quarto. O tempo perdeu o sentido, havia apenas o calor, o perfume adocicado e os gemidos misturados ao som dos meus próprios pensamentos tentando se calar.
Quando tudo acabou e as mandei embora, o silêncio que ficou foi quase insuportável. A excitação deu lugar a um vazio amargo, uma náusea que subia pelo peito. Caminhei até o espelho e encarei meu próprio reflexo, o rosto suado, os olhos cansados e, pela primeira vez em muito tempo, me senti verdadeiramente sujo.
Não era isso que eu queria para a minha vida. Sinceramente, não.
Naquele momento, tudo o que eu mais desejava era estar casado com a mulher que eu amava, voltando para casa depois do trabalho, fazendo planos de filhos, de uma família de verdade, algo simples, mas inteiro.
— Que merda… — murmurei, passando as mãos pelo rosto.
A sensação de nojo era tão forte que corri para o banheiro. Abri o chuveiro e deixei a água cair com força, como se pudesse lavar não só o corpo, mas também o arrependimento que me corroía. Esfreguei a pele até arder, tentando me limpar de algo que não saía, nem com sabão.
Após um longo momento, vesti a roupa que estava jogada no chão e fui até a cômoda, onde o celular estava. Olhei o visor e congelei.
Segunda-feira.
— Minha nossa… — murmurei, incrédulo. — Quantos dias fiquei nesse lugar?
O quarto parecia menor, sufocante. E, pela primeira vez desde que cheguei ali, percebi o quanto havia me perdido de mim mesmo.
Peguei as chaves do carro e saí do quarto sem olhar para trás. O ar do corredor parecia mais gelado do que nunca, misturado ao cheiro doce de perfume barato e álcool derramado. Caminhei até a recepção, decidido a colocar um ponto final naquele capítulo vergonhoso da minha vida.
Enquanto o caixa somava os gastos, fiquei em silêncio, com as mãos apoiadas no balcão. Minha mente girava, tentando calcular não o valor da conta, mas o preço real de tudo o que eu havia perdido ali dentro.
— Prontinho, senhor Salles. Aqui está a sua conta — disse o atendente, estendendo o papel.
Peguei o recibo e, ao olhar os números, senti o estômago embrulhar.
Quinze dias.
Quinze dias desperdiçados naquele lugar, vivendo de álcool, sexo e autodestruição. Quinze dias fugindo de mim mesmo.
Suspirei fundo, tirei o cartão da carteira e paguei a quantia absurda sem discutir. Quando a máquina apitou, peguei as chaves e caminhei até a porta.
Do lado de fora, o sol me atingiu com força, como se quisesse me lembrar que o mundo continuava, mesmo que eu tivesse parado.
Tudo o que eu queria era ir para a fazenda, trocar de roupa e tentar me reerguer. Precisava de ar, de silêncio, de um pouco de ordem depois do caos em que havia me afundado.
Assim que cheguei à casa, vi que o carro da minha mãe não estava na garagem. Respirei aliviado.
“Graças a Deus”, pensei. Assim, pelo menos, não terei ninguém buzinando no meu ouvido.
Entrei pela sala e mal dei dois passos quando uma voz vacilante me fez parar.
— Renato?
Era Lorena. Ela estava com os olhos arregalados, como se tivesse visto um fantasma.


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