— Me solte! — ela pediu, puxando o braço para perto do corpo e os olhos cheios de pavor.
— Vim te tirar daqui — expliquei, tentando que a voz soasse um pouco mais agradável, mesmo que estivesse nervoso com tudo aquilo que estava acontecendo.
Ela me fitou com ódio, como se tudo que eu dissesse tivesse um gosto amargo.
— Depois de ter me colocado nesse lugar? — perguntou, sem se importar com o tom da voz.
— De que está falando?
— Não se faça de desentendido — ela bradou.
Uma caminhonete freou ao nosso lado e Humberto, capataz da fazenda, desceu e nos observou confuso.
— Senhor Salles, precisa de alguma coisa? — perguntou o capataz.
— Não — respondi seco. — Só vim buscar a Sara.
— Eu não vou com você! — Ela respondeu firme, me olhando com o olhar de ódio.
— Ah, não? — perguntei nervoso. — Então quer dizer que prefere ficar nesse lugar e ser tratada como um animal?
— Qualquer lugar é melhor do que ficar perto de você ou da sua mãe.
— Pare de testar a minha paciência e venha comigo agora mesmo, Sara! — repeti sem paciência, voltando a segurá-la pelo braço.
Humberto lançou um olhar demorado para ela, cheio de preocupação, mas eu não fiquei para explicações. A guiei até o meu veículo, coloquei-a no banco do passageiro, fechei a porta, dei a volta no carro, entrei e parti.
No banco ao meu lado, Sara encolhia-se em silêncio, olhando para a direção onde Humberto ainda estava parado, apenas observando-nos. Percebi que as mãos dela tremiam, enquanto seus olhos assustados procuravam por uma saída, mas eu apenas pisei o pé no acelerador e saí dali.
Enquanto dirigia em silêncio, pude notar que, através dos óculos dela, seus olhos estavam afundados, denunciando talvez noites sem dormir. Ver aquilo me consumiu. Não era para ser assim.
— Você está bem? — perguntei, preocupado com o estado dela.
— Olhe para mim e veja por si mesmo — ela respondeu, me encarando com desprezo.
Suas mãos estavam feridas e com calos, resultado do trabalho pesado que estava exercendo.
— Quer que eu chame um médico para você?
— Eu não preciso de um médico, preciso apenas ficar bem longe desse lugar.
Eu entendia a raiva dela, perceber o que estavam fazendo com ela era demais até para mim, que estava cheio de rancor.
— Podemos falar sobre isso depois. Quero saber do que precisa agora, as suas mãos parecem machucadas.
— Não preciso de nada que venha de você.
A resposta impertinente me deixou nervoso, mas resolvi deixar passar, afinal, ela devia ter as suas razões para estar assim e, enquanto eu não resolvesse aquilo, não iria ficar tranquilo.
Dirigi em silêncio até a casa, desci do carro e esperei que ela fizesse o mesmo, mas ela não fez, continuou encolhida no banco, como um animal preso. Respirando fundo, abri a porta para ela.

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