Percebi que aquele gesto a constrangeu, mesmo assim não me importei com nada. Ela apenas segurou a roupa e fez menção de sair dali, mas a interrompi novamente.
— Depois de jogar isso no lixo, quero que vá até a cidade e compre roupas para a Sara — ordenei, sem me preocupar nem um pouco com o tom da minha voz.
Lorena me olhou surpresa, tentando entender o motivo da minha explosão.
— Q-que tipo de roupa? — perguntou, assustada.
— Ela não tem nada para vestir, então traga tudo o que uma mulher precisa. Não poupe nada.
— Mas Renato, eu nem sei o número de roupa que ela usa.
— Ah, é mesmo que não sabe? — Ironizei. — Na hora de escolher o uniforme para ela, parece que você não teve a mesma dúvida de agora.
— Não fui eu que…
Ela tentou argumentar, mas isso me deixou mais furioso.
— Você é a governanta desta casa e tudo o que acontece aqui passa por você, então não tente terceirizar a culpa do que aconteceu para outras pessoas.
— Tudo bem — respondeu, com um olhar que implorava por compreensão.
— Não me olhe assim — a repreendi. — Lembre-se de que nada disso estaria acontecendo se você simplesmente tivesse seguido minhas ordens.
Ela apenas assentiu, mordendo os lábios e abaixando o olhar. Sem acrescentar palavra alguma, tirei o cartão do bolso e o entreguei, informando a senha.
— Não demore. Minha tolerância para incompetência é inexistente.
Ela pegou o cartão e saiu de cabeça baixa. A outra funcionária, que conversava com ela quando cheguei, continuava parada, muda. Voltei meu olhar para ela.
— Você. Vá até a cozinha e prepare algo para levar para o quarto da Sara. Agora.
— Sim, senhor — respondeu rapidamente, antes de sair apressada.
Após dar todas as ordens, virei as costas e saí dali. Fui direto para o meu quarto. Estava nervoso demais para conversar ou fazer qualquer outra coisa.
[…]
Na cozinha dos empregados, Lorena olhava para o uniforme sujo em suas mãos. O tecido manchado parecia um lembrete da humilhação que acabara de passar, pelo modo como Renato a havia tratado desde que chegou naquela manhã. Mordeu o lábio inferior, sentindo o orgulho ferido queimar.
— Isso não vai ficar assim — murmurou, lançando um olhar de ódio para o uniforme. — Não mesmo.
Enquanto ela jogava a peça de roupa no lixo, Eliene, a funcionária com quem estava conversando há pouco, entrou ali e a questionou.
— O que foi isso que acabou de acontecer, Lorena?
— Eu não sei — ela respondeu com a voz de ódio.
— Acha que o Renato vai deixar que aquela mulher fique na casa sem fazer nada?
Não. Ela não deixaria isso acontecer. Lorena não permitiria que Renato olhasse para aquela mulher de um jeito diferente.
— A ideia não é nada ruim — comentou Lorena, com um sorriso enviesado, analisando o cartão que Renato lhe entregou. — Se o Renato reclamar de alguma coisa, digo que só levei em consideração a personalidade dela na hora de escolher as roupas.
As duas mulheres caíram na gargalhada ali mesmo na cozinha, rindo sem pudor, como se nada mais importasse.
Saindo dali, Lorena foi até seu quarto para pegar sua bolsa e seguiu para a garagem. Assim que abriu a porta do seu automóvel, avistou o carro preto parando em frente à casa. O motorista desceu rapidamente e abriu a porta para Constança, que apareceu com sua habitual postura imponente.
— Onde está indo? — Constança perguntou, franzindo o cenho ao vê-la pronta para sair de carro.
— À cidade — respondeu Lorena, tentando manter a naturalidade. — O Renato me mandou comprar roupas para a senhorita Sara.
Constança parou no mesmo instante, endurecendo a expressão.
— Como é que é?
Lorena sabia que aquela resposta causaria desconforto, e justamente por isso não evitou o olhar da patroa.
— É exatamente isso que a senhora acabou de ouvir. Renato chegou em casa e, além de arrancar a Sara dos afazeres, levou-a de volta para o quarto de hóspedes e ainda me deu ordens específicas para comprar tudo o que ela precisava — repetiu Lorena, com um toque estudado de falsa inocência.
— E você vai mesmo cumprir isso? — Constança perguntou, incrédula.
— Tenho que ir, senhora. Sou apenas uma funcionária, e funcionárias cumprem ordens — respondeu, com um sorriso que não chegava aos olhos.

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