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Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 29

— Isso só pode ser o cúmulo! — exclamou Constança, parecendo cuspir fogo pelas narinas. — Quando foi que o meu filho chegou?

— Agora há pouco — respondeu Lorena, contendo o sorriso que ameaçava surgir. — Não é da minha conta, senhora, mas preciso alertá-la de que ele não está com o melhor dos humores.

A cada palavra que dizia, Lorena percebia a raiva da patroa crescer, e aquilo lhe dava um prazer perverso. Sabia que Constança era a única capaz de mudar aquela situação.

— Então quer dizer que ele some e, quando resolve aparecer, já vem querendo desfazer as minhas ordens? — disse Constança, indignada. — Eu não vou permitir isso, não mesmo! — completou, cerrando os punhos.

Ela respirou fundo e lançou um olhar cortante para Lorena.

— Se quiser ir até a cidade, vá. Mas fique sabendo que estará me contrariando! — declarou, virando-se bruscamente e saindo dali.

Lorena ficou imóvel por alguns segundos, com o coração acelerado. Sabia que desobedecer a Constança poderia lhe custar caro, mas as palavras de Renato ecoaram em sua mente: “Um dia você vai ter que escolher de que lado está.”

Inspirou fundo, endireitou a postura, entrou no veículo, ligou o motor e partiu rumo à cidade. Dessa vez, cumpriria as ordens do chefe e arcaria com as consequências depois.

Ao entrar na casa, Constança pisou firme, o som de seus saltos ecoava pelo corredor. O rosto estava tomado pela fúria, e o olhar, carregado de autoridade. Caminhou direto até o quarto onde sabia que Sara estava.

Assim que empurrou a porta, a cena diante dela foi o suficiente para fazê-la parar por um segundo. Sara estava sentada à mesa, vestida com um roupão limpo e uma toalha enrolada nos cabelos, comendo calmamente algo que havia sido deixado ali.

— Era só o que me faltava! — exclamou Constança, caminhando em direção a ela com o olhar em chamas. — O que pensa que está fazendo aqui?

Assustada, Sara quase se engasgou com a comida. A colher caiu de sua mão e ela se levantou num salto, com o rosto pálido e as mãos trêmulas.

— E-eu… — tentou responder, mas as palavras mal saíam.

Constança cruzou os braços, inclinando-se ligeiramente à frente, como uma predadora prestes a atacar.

— Já disse que você não tem o direito de estar aqui — rangeu — muito menos desse jeito, como se fosse a dona desta casa.

— Então a senhora não deveria falar comigo, e sim com o seu filho — respondeu Sara, recuperando o pouco fôlego. — Foi ele quem me trouxe de volta para cá.

— Não me responda como se tivesse razão! — cuspiu Constança.

— Então não me trate como se eu estivesse causando tudo isso.

Num ímpeto de raiva pela resposta que obteve, a senhora avançou. Sara tentou se esquivar, mas perdeu o equilíbrio e caiu no chão; com o impacto, os óculos deslizaram do rosto e uma das lentes rachou.

— É aí que você deve ficar, seu lixo — Constança decretou, olhando-a do alto. — Você e toda a sua família.

Sem conseguir enxergar nada, Sara começou a tatear o chão, desesperada, tentando encontrar os óculos. As mãos tremiam enquanto ela se arrastava pelo tapete, com os olhos semicerrados, enxergando apenas vultos.

Constança arregalou os olhos, indignada com a reação do filho. O rosto ficou vermelho, o peito arfando de raiva.

— Por acaso se esqueceu de quem essa mulher é e vai começar a defendê-la? — disparou, incrédula.

— Não, eu não me esqueci — ele rebateu, firme. — Mas eu te disse que eu mesmo cuidaria dela. Não preciso da sua interferência.

— Eu sou a sua mãe. Estou apenas tentando te ajudar — insistiu ela, cheia de autoridade.

— Ajudaria muito se saísse deste quarto agora mesmo e deixasse a Sara em paz.

O olhar de Constança foi de choque, como se nem ela acreditasse no que acabara de ouvir da boca do próprio filho.

— Se continuar agindo como um tolo, vai acabar sendo enganado por essa vagabunda — cuspiu Constança, com desprezo.

— Chega! — ele bradou, deixando a voz ecoar pelo quarto. — Você passou de todos os limites, mãe. Saia daqui. Agora!

Engolindo em seco, Constança encarou os olhos frios do filho e, em seguida, lançou um olhar cheio de desprezo para Sara — que, para ela, não passava de uma coitada fingida tentando manipulá-lo.

— Eu vou — disse, com a voz rígida, forçando uma falsa resignação. — Mas pode ter absoluta certeza de uma coisa… isso não vai ficar assim. Ah, não vai mesmo.

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