— Isso só pode ser o cúmulo! — exclamou Constança, parecendo cuspir fogo pelas narinas. — Quando foi que o meu filho chegou?
— Agora há pouco — respondeu Lorena, contendo o sorriso que ameaçava surgir. — Não é da minha conta, senhora, mas preciso alertá-la de que ele não está com o melhor dos humores.
A cada palavra que dizia, Lorena percebia a raiva da patroa crescer, e aquilo lhe dava um prazer perverso. Sabia que Constança era a única capaz de mudar aquela situação.
— Então quer dizer que ele some e, quando resolve aparecer, já vem querendo desfazer as minhas ordens? — disse Constança, indignada. — Eu não vou permitir isso, não mesmo! — completou, cerrando os punhos.
Ela respirou fundo e lançou um olhar cortante para Lorena.
— Se quiser ir até a cidade, vá. Mas fique sabendo que estará me contrariando! — declarou, virando-se bruscamente e saindo dali.
Lorena ficou imóvel por alguns segundos, com o coração acelerado. Sabia que desobedecer a Constança poderia lhe custar caro, mas as palavras de Renato ecoaram em sua mente: “Um dia você vai ter que escolher de que lado está.”
Inspirou fundo, endireitou a postura, entrou no veículo, ligou o motor e partiu rumo à cidade. Dessa vez, cumpriria as ordens do chefe e arcaria com as consequências depois.
Ao entrar na casa, Constança pisou firme, o som de seus saltos ecoava pelo corredor. O rosto estava tomado pela fúria, e o olhar, carregado de autoridade. Caminhou direto até o quarto onde sabia que Sara estava.
Assim que empurrou a porta, a cena diante dela foi o suficiente para fazê-la parar por um segundo. Sara estava sentada à mesa, vestida com um roupão limpo e uma toalha enrolada nos cabelos, comendo calmamente algo que havia sido deixado ali.
— Era só o que me faltava! — exclamou Constança, caminhando em direção a ela com o olhar em chamas. — O que pensa que está fazendo aqui?
Assustada, Sara quase se engasgou com a comida. A colher caiu de sua mão e ela se levantou num salto, com o rosto pálido e as mãos trêmulas.
— E-eu… — tentou responder, mas as palavras mal saíam.
Constança cruzou os braços, inclinando-se ligeiramente à frente, como uma predadora prestes a atacar.
— Já disse que você não tem o direito de estar aqui — rangeu — muito menos desse jeito, como se fosse a dona desta casa.
— Então a senhora não deveria falar comigo, e sim com o seu filho — respondeu Sara, recuperando o pouco fôlego. — Foi ele quem me trouxe de volta para cá.
— Não me responda como se tivesse razão! — cuspiu Constança.
— Então não me trate como se eu estivesse causando tudo isso.
Num ímpeto de raiva pela resposta que obteve, a senhora avançou. Sara tentou se esquivar, mas perdeu o equilíbrio e caiu no chão; com o impacto, os óculos deslizaram do rosto e uma das lentes rachou.
— É aí que você deve ficar, seu lixo — Constança decretou, olhando-a do alto. — Você e toda a sua família.
Sem conseguir enxergar nada, Sara começou a tatear o chão, desesperada, tentando encontrar os óculos. As mãos tremiam enquanto ela se arrastava pelo tapete, com os olhos semicerrados, enxergando apenas vultos.


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