Quando viu a mãe sair e bater a porta do quarto com força, Renato voltou o olhar para Sara e percebeu o quanto seus olhos estavam vermelhos. Sem dizer nada, começou a procurar os óculos dela pelo chão. Quando finalmente os encontrou, notou que estavam completamente destruídos.
Em silêncio, a guiou até a cama, ajudando-a a se sentar. Pegou os óculos nas mãos e os examinou com cuidado, tentando avaliar se havia algo a ser feito, mas além das lentes estilhaçadas, a armação também estava torta e partida em dois pontos.
Renato respirou fundo, contendo a raiva crescente.
— Isso aqui não tem conserto — murmurou, mais para si do que para ela. — Vou providenciar outro para você.
Aflita com tudo o que estava acontecendo, Sara encarou o vulto de Renato e, com a voz embargada, perguntou:
— Até quando vai me manter aqui? O que a sua mãe está fazendo comigo já não é o suficiente para você?
A pergunta o deixou completamente desconfortável.
— Eu não concordo com o que ela fez, está bem? — respondeu, inquieto. — Já te disse que eu não estava em casa, muito menos ciente do que estava acontecendo.
— Por quanto tempo vai me manter aqui? — insistiu ela, com os olhos marejados. — Não vê que está cometendo uma injustiça com alguém que não tem culpa de nada?
Renato permaneceu em silêncio. Olhou novamente para os óculos quebrados em suas mãos e se deixou levar pelos próprios pensamentos. Sabia que havia agido de cabeça quente. Trazer aquela mulher para sua casa foi um erro e era impossível ignorar o que ela estava sendo obrigada a suportar ali dentro.
— Você tem razão — ele concordou.
A resposta fez Sara franzir o cenho, surpresa por vê-lo admitir aquilo tão abertamente.
— Eu te trouxe para cá por impulso… e não pensei muito bem — confessou, passando a mão pelos cabelos, visivelmente desconfortável.
— Então vai me deixar ir embora? — Ela perguntou, com uma ponta de esperança infiltrando-se em sua voz.
Renato respirou fundo antes de responder.
— Primeiro, vamos resolver isso aqui — disse, colocando os óculos quebrados nas mãos dela. — A Lorena deve chegar daqui a pouco com algumas roupas para você. Quando estiver vestida apropriadamente, vamos até a cidade fazer um óculos novo. E assim que tudo estiver resolvido… vou te deixar voltar para a sua casa.
Sem acreditar no que estava ouvindo, Sara sentiu uma lágrima solitária escorrer pelo rosto. Era a primeira vez que via Renato falar com alguma suavidade e coerência.
— Obrigada — foi tudo o que ela conseguiu responder.
Ele não disse nada. Apenas a observou por mais alguns segundos antes de sair do quarto. Assim que deixou o ambiente, caminhou pela casa à procura da mãe e, quando a encontrou no jardim, percebeu que ela falava ao telefone em um tom irritado.
Ao vê-lo se aproximar, Constança desligou imediatamente e se virou para ele, avançando alguns passos com a expressão carrancuda.
— Já terminou com a sua protegida? — zombou, com um sorriso torto.
— Então, o que pretende fazer?
Ele respirou fundo, claramente irritado.
— Eu ainda não sei. Mas, enquanto eu não decidir, não quero que você volte a entrar no quarto dela. Está me ouvindo?
— Filho… — ela se aproximou, tocando o peito dele carinhosamente. — Mande-a embora e acabe com aquela família. Eles têm uma empresinha, não têm? Destrua tudo e deixe-os na rua. É simples. Rápido.
— Eu pretendo fazer isso, não se preocupe — ele respondeu, sem hesitar. — A única coisa que eu quero é que você não se meta. Pode fazer isso?
— E eu tenho escolha? — Ela desdenhou, com um sorriso torto.
— É bom que saiba disso.
Ele se virou para sair, mas, antes que desse mais um passo, ouviu a voz da mãe atrás de si:
— Só não demore para decidir o que vai fazer com essa mulherzinha — disparou, cheia de desprezo. — Além de ser irmã daquela mulher, para mim é simplesmente desprezível ter que conviver com uma criatura tão feia circulando pela casa.
— Não seja tão dura nas palavras, pois ela não é tão feia assim — ele disparou, seco, sem pensar duas vezes, saindo dali, deixando a mãe com a cara surpresa.

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