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Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 31

Sara Lemos

Minha cabeça latejava de dor; ficar sem meus óculos era uma tortura. Vê-los quebrados me deixava desesperada, de um jeito que eu nem conseguia prever o que viria a seguir. Depois que Renato saiu, não consegui mais fazer nada, a ideia de que aquela porta pudesse se abrir a qualquer momento, trazendo Constança de volta, me apavorava.

A única coisa que me consolava era lembrar do que ele havia dito: que me deixaria ir. Aquilo me trazia um certo alívio, assim como pensar que não precisaria colocar Humberto naquela encrenca comigo. Só isso já me deixava um pouco mais calma.

Pensando no Humberto agora, nem consigo imaginar como deve ter ficado a cabeça dele depois de ver Renato saindo dali comigo, ainda mais quando estávamos tão perto de deixar a fazenda.

— Droga… — murmurei, sem saber como poderia vê-lo novamente para tranquilizá-lo e dizer que tudo estava bem. — E pensar que eu já estava imaginando como seria ficar na casa dele por um tempo.

Ao perceber o rumo dos meus pensamentos, toquei a testa e me deitei na cama. Eu não sabia exatamente o que estava sentindo, mas os dias que passei ao lado dele me fizeram sentir uma gratidão imensa por ele, ainda mais por ter cuidado de mim durante os quinze dias em que trabalhei naquele lugar.

Eu não sabia quando iria embora dali, mas, antes disso, precisava vê-lo mais uma vez e agradecê-lo por tudo o que fez — e tentou fazer — por mim.

[…]

Não sei quanto tempo passou; só percebi que havia adormecido quando uma leve batida soou na porta.

Assustada, levantei-me rapidamente e me aproximei.

— Quem é? — perguntei.

— É a Lorena — veio a resposta imediata do outro lado.

Mesmo desconfiada, abri a porta e vi o vulto de Lorena parado à minha frente.

— Trouxe algumas coisas que o Renato pediu para comprar para você. Algumas já foram lavadas e estão prontas para uso — disse, erguendo a mão com as sacolas.

— Obrigada.

Peguei as sacolas, mas ela não as soltou de imediato. Seu olhar percorreu meu rosto com atenção excessiva.

— Por que não está usando seus óculos? — perguntou, curiosa.

— Eles quebraram — revelei, sem rodeios.

— Como isso aconteceu? — insistiu.

— A mãe do Renato — resumi, sentindo o peso da resposta no silêncio que se seguiu.

— E agora? O que fará?

Senti um leve traço de preocupação na voz dela, mas sabia que não podia confiar naquele tom. Desde que cheguei, Lorena nunca havia me tratado bem naquela casa.

— O Renato disse que vai me ajudar a arranjar outro — respondi.

— Ah… entendi — ela disse, erguendo uma sobrancelha.

— Tudo bem — disse ele, por fim. — Vou te esperar lá fora.

Ouvi seus passos se afastarem, e só então consegui respirar direito. Meu coração ainda batia acelerado, e minhas mãos tremiam levemente enquanto eu tentava recuperar a compostura, sem saber como lidar com aquele constrangimento.

Depressa, vesti o sutiã e, em seguida, peguei um vestido que encontrei em outra sacola. Amarrei o cabelo e calcei uma sandália que havia vindo junto. Quando terminei, caminhei até a porta e saí do quarto, apoiando a mão na parede enquanto atravessava o corredor, tentando me orientar até a sala.

Assim que cheguei ali, ouvi o som de risos bem baixinho. Meu estômago se contraiu, mas não consegui identificar quem estava presente.

— Renato? — chamei, mas não obtive resposta.

Eu tinha certeza de que havia alguém ali. E, do jeito que tudo estava acontecendo, não duvidei que aquelas risadas fossem apenas para zombar de mim, da situação humilhante em que eu me encontrava.

Engolindo o orgulho, segui em direção à porta da frente. Ao alcançá-la, vi novamente o vulto alto, parado na varanda.

— Renato? — chamei outra vez.

Ele se virou e veio em minha direção. Senti sua mão firme tocar minha cintura para me guiar, e o simples contato fez meu corpo reagir com nervosismo.

— Vamos — disse ele, baixo, perto do meu ouvido. — Vou te guiar até o carro.

Assenti em silêncio, permitindo que ele me conduzisse, enquanto meu coração batia acelerado, dividido entre o constrangimento, a confusão e a estranha segurança que aquele toque despertava.

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