Renato Salles.
Eu já estava decidido a mandar Sara de volta para casa. Afinal, que serventia ela teria ali para mim? Isolada na minha casa de campo, ela não me ajudaria em nada. Além disso, eu não conseguiria vigiá-la o tempo todo e sabia que, enquanto minha mãe estivesse por perto, acabaria inventando alguma coisa para prejudicá-la.
E, embora eu não sentisse empatia alguma por ela ou por sua família, não podia permitir que os absurdos da minha mãe ultrapassassem limites ainda maiores do que já estavam sendo cruzados.
De qualquer forma, a família dela já seria prejudicada e, para mim, naquele momento, isso bastava. A pior parte de tudo ainda ficaria para a Raquel, e eu jurava que, mesmo que precisasse ir até o inferno, eu iria para encontrá-la.
Enquanto me arrumava no quarto, meu celular começou a tocar insistentemente. Eu não estava com vontade de atender ligações de ninguém naquele momento, mas, quando vi o nome na tela, não pude ignorar.
Hélio Pontes era um amigo e um investidor essencial. Além de parceiro de negócios há muitos anos, era um dos homens mais ricos e promissores que eu conhecia. Ignorar uma ligação dele seria o mesmo que cortar relações importantes.
— Fala, Hélio — atendi de imediato.
— Oras, se eu não falo com o recém-casado mais importante do país… — disse ele do outro lado da linha em tom amistoso.
A frase me deixou inquieto. Por mais que eu tentasse ignorar, todos ainda acreditavam que eu estava casado e aproveitando a lua de mel.
— A que devo a honra da sua ligação? — questionei.
— Bem, sei que você está desfrutando da sua lua de mel, e reconheço que não é nada cavalheiresco ligar nesse período — começou ele. — Mas preciso te lembrar que, daqui a alguns dias, acontecerá o Baile de Ouro Pontes & Associados, em comemoração aos cinquenta anos da minha empresa. Você é um dos meus convidados de honra, e eu não aceito que perca esse evento por nada.
— Eu não me esqueci disso — respondi.
— Espero que não, pois esse evento não é somente uma comemoração — Hélio continuou, com a voz firme. — É um marco. A imprensa estará lá, investidores, políticos, gente que observa cada detalhe. A sua presença já é esperada… e a da sua esposa também.
Fiquei em silêncio por um instante.
— Não quero vê-lo chegando sozinho, Renato — ele deixou claro, sem rodeios. — Um homem na sua posição não aparece desacompanhado em um evento desse porte. Ainda mais depois de todo o barulho em torno do seu casamento.
— Entendo — respondi, contido.
— Ótimo. Porque eu não aceito desculpas — insistiu. — Quero você lá, e quero sua esposa ao seu lado, afinal quero conhecê-la pessoalmente.
— Não se preocupe com isso, nós estaremos lá.
A ligação terminou pouco depois, mas a pressão ficou.
Eu sabia que aquele baile não era apenas uma festa. Era um palco. E, gostando ou não, eu teria que subir nele… acompanhado.
Suspirei pesado, ainda segurando o telefone nas mãos. Aquilo me colocava em um fogo cruzado. O que eu faria?
Assim que fiquei sozinho, caminhei até a porta que ligava ao quarto de Sara e, sem pensar duas vezes, a abri. Mas não devia ter feito aquilo.
A imagem diante de mim me fez parar no mesmo instante. Sara estava em meio à troca de roupa e se virou assustada ao perceber minha presença.
A cena de ver aqueles pequenos seios rosados e durinhos com os bicos direcionados para mim fez com que a droga do meu corpo reagisse no mesmo instante. Eu não queria sentir aquilo, mas quando me dei conta, a minha calça já parecia mais apertada do que estava.
Quando percebeu a minha presença, ela se abaixou depressa para pegar o roupão no chão e cobrir o corpo, mas o estrago já estava feito. Minha mente era boa demais para esquecer o que havia visto. Visivelmente constrangida, pediu que eu me retirasse, e eu obedeci sem dizer uma palavra.
Assim que voltei para o meu quarto, senti um calor estranho percorrer o corpo.
— Maldição.
Eu odiava quando meu corpo reagia antes da minha mente. Admitindo ou não, eu havia gostado do que vi e essa constatação me deixou inquieto, suando, irritado comigo mesmo por não conseguir controlar aquilo.
Saí do quarto e fui esperá-la do lado de fora da casa. Precisava de ar fresco para tentar conter aquela transpiração que meu corpo insistia em provocar.
Naquele momento, uma onda de raiva me tomou por completo. Passei quinze dias em um puteiro e, ainda assim, meu corpo parecia longe de estar satisfeito.
Mais uma vez, a ideia de me vingar da Raquel usando a irmã dela atravessou minha mente, e mandar Sara de volta para casa já não parecia uma opção tão viável assim, mas eu agiria com cautela. Precisava ser esperto. Havia coisa demais em jogo para colocar tudo a perder por causa de um rabo de saia.

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