No consultório, enquanto ouvia o que o médico explicava a Sara, uma ideia começou a se formar. Se ela podia se livrar daqueles óculos ridículos, eu a ajudaria. No fim das contas, seria para o meu próprio bem. Se eu precisava de uma esposa ao meu lado, ela teria que ser, no mínimo, apresentável e aqueles óculos só atrapalhavam.
Vi a expressão confusa no rosto dela quando anunciei que o médico poderia iniciar imediatamente os exames para a cirurgia. Mais ainda quando deixei claro que aquilo não era um pedido, mas uma decisão tomada.
Enquanto ela era levada para a sala de exames, eu sabia que, na mente dela, já devia estar claro que aquilo não era um favor. Sara certamente imaginava que eu iria querer algo em troca. E estava certa.
Tudo começaria de forma simples: convencê-la a ir comigo ao baile do Hélio.
Depois, bem… depois eu tinha muitos planos para ela.
Assim que tudo terminou, levei-a de volta para o carro. Ela permaneceu em silêncio, como sempre, mas eu sabia que sua mente trabalhava rápido.
— Quando saem os resultados dos exames? — perguntei assim que entramos.
— Ainda esta semana — respondeu.
— E depois disso, quais são os próximos passos?
— O médico disse que já posso marcar a cirurgia.
— Ótimo — falei, ligando o carro. — Preciso que você fique bem o mais rápido possível.
Ela se virou para mim, com o olhar tomado por dúvidas.
— O que quer dizer com isso, Renato?
— Quero dizer que preciso de um favor seu — expliquei.
— Um favor? — repetiu, confusa. — O que alguém como eu poderia fazer por um homem como você?
— Você não imagina o quanto — zombei, desviando o olhar para a paisagem pela janela.
— Eu não estou entendendo — insistiu. — Você disse que me deixaria ir embora. Por favor, não me diga que mudou de ideia.
A voz dela já denunciava o pavor.
— Não mudei de ideia — virei-me para ela. — Mas você sabe que, nesta vida, tudo tem um preço, não sabe?
Vi quando ela engoliu em seco. O pavor ficou evidente. Naquele instante, percebi que a irmã de Raquel começava a entrar em desespero.
— Você disse que me deixaria ir — insistiu.
— Sim, eu disse — confirmei. — Mas não disse quando.
— Renato…
— Escuta aqui, Sara — interrompi, sem paciência. — Você precisa entender uma coisa: eu não sou seu amigo. Muito menos alguém que faz boas ações sem querer algo em troca. Preciso da sua ajuda com algo. Depois que isso acabar, eu te mando de volta para aquelas pessoas que você chama de família.
Ela permaneceu em silêncio, e eu continuei:

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