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Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 35

Sara Lemos.

Vi os olhos de Renato faiscarem como fogo. Eu sabia que não devia ter dito aquilo, mas ele apertava meu braço com tanta força que tive certeza de que, se não falasse a verdade naquele momento, as consequências mais uma vez recairiam sobre mim.

Quando terminei de responder, a pressão das mãos dele em meus braços diminuiu. Ele então se afastou, virou o rosto e ficou encarando a janela do lado do motorista, em silêncio.

Eu não o conhecia de verdade, mas sabia, naquele momento, que aquela frase o havia machucado profundamente. E eu culpava Raquel com todas as forças. Se Renato estava agindo daquela forma, era porque tinha sido ferido no lugar mais sensível possível.

— Como ela foi perversa… — ele murmurou depois de um tempo. — Agiu como uma verdadeira vagabunda.

Ele passou a despejar uma sequência de horrores contra ela, palavras carregadas de rancor e desprezo. Eu não disse nada. Nem quis, para ser sincera. O que Raquel havia feito não tinha justificativa alguma, e qualquer tentativa de defesa soaria vazia.

Depois de despejar sua raiva, ele se virou para mim e perguntou:

— Como acha que eu deveria me vingar dela, hein?

— E-eu… eu não sei — gaguejei, intimidada pelos olhos frios dele. — Você é um homem poderoso… devia apenas seguir a sua vida e deixá-la de lado.

Minha resposta saiu mais como uma tentativa de ganhar tempo do que como opinião. Eu só queria que aquela conversa acabasse antes que ele cruzasse um limite ainda maior.

— Deixá-la? — Ele zombou, rindo como se eu tivesse acabado de contar uma piada. — Eu não esperava uma resposta diferente vinda de você. Afinal, é a irmã dela. Claro que faria qualquer coisa para defendê-la.

— Você não sabe o que está dizendo! — protestei. — Eu não concordo com o que a minha irmã fez, está bem? Nunca defenderia um ato tão baixo quanto aquele.

Ele me olhou nos olhos, como se estivesse analisando cada palavra que eu dizia.

— Me diz uma coisa — começou ele. — Você me disse que você e a Raquel não se davam muito bem, certo?

— Não, não nos dávamos — respondi, desconfiada.

— Por quê?

— Porque a Raquel tinha vergonha de mim — expliquei, sem hesitar, mas com uma leve sensação de desconforto. — Ela me achava feia demais para ser apresentada como irmã — completei.

— Entendo… — ele murmurou. — Imagino que o que ela fez com você te deixava muito triste, não é?

— Não vou negar que me deixava, sim. Muito triste — admiti. — Mas era algo que eu não podia controlar.

Ele mordeu o lábio, pensativo, e então se aproximou um pouco mais de mim.

— Aposto que você também se sentia rejeitada, não é? — continuou. — Além da sua irmã, sua família também não ficava muito atrás. Afinal, quando fui até lá, seus pais não me disseram que tinham outra filha.

Engoli em seco. Não fazia ideia de onde aquela conversa queria chegar.

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