Os dias que se seguiram fizeram com que Sara se mantivesse quase o tempo todo em seu quarto. Sem os óculos, era impossível sair dali ou tentar fazer qualquer coisa sozinha. Além disso, ela queria evitar a todo custo se deparar com Constança pela casa.
Ficar trancada naquele quarto deixava seus pensamentos acelerados, principalmente quando se lembrava da proposta que Renato havia lhe feito. Não que estivesse dividida — ela não tinha intenção alguma de aceitar aquilo —, mas a ideia de voltar para casa e retomar a mesma vida de antes a incomodava profundamente. Por mais que não admitisse em voz alta, ela não queria voltar.
Uma batida soou na porta, seguida da entrada de Odete com uma bandeja de café da manhã.
— Bom dia, Sara. Como está?
— Que bom te ver, Odete — disse ela, sorridente.
Já fazia alguns dias que não via aquela senhora por ali, já que outra funcionária vinha trazendo suas refeições.
— Também fico feliz em vê-la bem… longe daquele lugar — respondeu Odete, enquanto arrumava a mesa.
Sara se aproximou com cautela.
— Eu nem acreditei quando o Renato apareceu para me tirar de lá — confessou.
— Eu te disse que ele não sabia de nada — explicou Odete. — Eu sei que você não tem motivos para confiar nele, mas o Renato não é uma pessoa ruim.
— Eu não sei, Odete… — murmurou, insegura.
Percebendo a confusão de Sara, Odete decidiu mudar o assunto.
— Olha, o Humberto me procurou hoje. Queria notícias suas.
Sara arregalou levemente os olhos.
— Ele perguntou por mim?
— Perguntou, sim — confirmou Odete. — E parecia muito preocupado com você.
— Ele foi muito bom comigo enquanto estive trabalhando ali. Cuidou de mim, me ajudou quando ninguém mais ajudou. Eu… eu queria vê-lo outra vez antes de ir embora deste lugar.
Odete a observou por alguns segundos, como se ponderasse a resposta.
— Hoje ele está trabalhando próximo da casa — disse por fim. — Lá pelos fundos. Se quiser vê-lo, é só seguir pelo jardim.
Sara sentiu o coração acelerar, mas logo veio a insegurança.
— Eu estou sem os óculos… — murmurou. — Mal consigo enxergar direito.
— Vá com calma — aconselhou Odete, em tom tranquilo. — O caminho é simples e não tem perigo.
Sara respirou fundo. Estava receosa, sim, mas a necessidade de tranquilizar Humberto e falar com ele falou mais alto. Ele merecia saber que ela estava bem. Mesmo sem enxergar direito, decidiu tentar.
Tomou o seu café da manhã rápido e depois saiu guiando-se pelas paredes, e seguiu em direção aos fundos da casa, com o coração acelerado, torcendo para não se encontrar com ninguém desagradável.
Quando se aproximou do jardim, distinguiu a silhueta de um homem de costas, empurrando um carrinho de mão.
— Humberto? — chamou, com cuidado.
Ao ouvir a voz dela, ele largou o carrinho imediatamente e se virou. Em poucos segundos, já vinha em sua direção, com passos apressados, como se estivesse realmente ansioso.
— Sara… que bom te ver bem — disse, aliviado.
— Mesmo que eu não te veja direito — ela tentou brincar. — É bom saber que você também está bem.

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