Entrar Via

Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 37

Não era preciso que nenhum deles se virasse para conhecer de quem era aquela voz. Renato estava ali, parado a poucos metros, os observando com o semblante fechado e os olhos atentos demais.

Humberto se afastou de imediato, erguendo as mãos num gesto defensivo.

— Nada demais, senhor — disse ele. — Eu só estava conversando com a Sara.

Renato não respondeu na hora. O olhar dele passou por Humberto, depois voltou para Sara, avaliando a cena em silêncio, como se estivesse montando um quebra-cabeça do qual não gostava do resultado.

— Já terminou? — perguntou por fim, seco, sem tirar os olhos de Sara.

— Sim, já terminamos — respondeu Humberto, mantendo a calma.

— Então, volte para o seu trabalho. — Renato retrucou. — Aposto que ainda tem muita coisa para fazer.

Humberto lançou um último olhar para Sara, silencioso, cheio de preocupação. Em seguida, apenas inclinou a cabeça em sinal de respeito e se afastou, empurrando o carrinho de mão de volta ao caminho por onde viera.

Assim que ele desapareceu, Renato avançou alguns passos, com o semblante fechado e a mandíbula tensa.

— Não sabia que você tinha tanta intimidade com os funcionários da casa — disse, em tom baixo, nada amigável.

— Não tenho intimidade com ninguém. Eu só converso com quem me trata bem — respondeu, firme.

— Percebi o quanto ele te trata bem — ironizou.

Virando-se para ele, ela franziu a testa.

— O que quer dizer com isso?

— Nada — respondeu, frio.

Percebendo que não havia mais nada a ser dito ali, ela decidiu sair. Deu um passo à frente, mas a mão de Renato segurou seu braço, impedindo-a de seguir.

— Não terminei — disse, em tom baixo.

Parando bruscamente, Sara sentiu o coração acelerar.

— Não quero mais te ver andando sozinha pela casa, muito menos conversando com funcionários homens — continuou.

— Eu não sou uma prisioneira — rebateu, tentando puxar o braço.

Ele afrouxou o aperto, mas não recuou.

— Como se sente? — perguntou Renato.

— Bem… Só um pouco cansada — respondeu Sara, tentando forçar um sorriso.

Renato observou-a por um momento, percebendo a vulnerabilidade dela naquele instante. Sem saber exatamente o que dizer, ele se limitou a permanecer ao seu lado.

O médico se aproximou dos dois, com a ficha nas mãos, e falou de forma calma e objetiva:

— O procedimento correu muito bem, Sara. Sua visão ainda vai ficar um pouco embaçada hoje, é normal. Pode sentir ardor, sensibilidade à luz e lacrimejamento nas próximas horas. Use os colírios conforme prescrito, não coce os olhos e evite sol, poeira e água nos olhos por alguns dias. Óculos escuros sempre que sair. Repouso hoje e retorno para avaliação amanhã.

Ela assentiu, absorvendo cada palavra.

— Qualquer desconforto fora do esperado, entre em contato imediatamente — concluiu o médico, antes de se afastar.

Liberada, Renato a ajudou a se levantar com cuidado e a conduziu até o carro. A luz do lado de fora parecia forte demais, e ele abriu a porta com atenção, guiando-a para que se sentasse com segurança. Antes de fechar a porta, ele inclinou-se um pouco mais perto e sussurrou em seu ouvido, baixo o suficiente para só ela ouvir:

— Já resolvemos o assunto dos óculos. Agora, os outros assuntos pendentes estão nas suas mãos.

Sara engoliu em seco. Mesmo com a visão ainda turva, entendeu perfeitamente o peso daquelas palavras.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Esposa substituta: Prometo te odiar!