O avião estava frio demais, mas Sara não sabia dizer se o arrepio vinha do ar-condicionado ou do homem sentado na poltrona à frente. Desde o dia em que ele entrou em seu quarto, dizendo aqueles absurdos, não o viu mais. Somente se recuperou da cirurgia e, agora, viajava ao lado dele para ser exibida como sua esposa diante de pessoas que sequer conhecia.
Mesmo protestando, dizendo que nunca havia estado no meio de gente estranha e que não sabia como se comportar, ele não lhe deu trégua. Apenas disse que continuasse como sempre foi: calada.
Enquanto Renato descansava na poltrona, ela o observava e percebia que ele havia voltado a ser o mesmo homem frio que conhecera no dia do casamento. O motivo? Ela não sabia. E, naquele momento, também não queria saber. Só queria encontrar um jeito de fazer com que tudo aquilo acabasse logo.
Quando o avião pousou, o primeiro choque de realidade veio à tona. Renato foi recepcionado por pessoas que o tratavam como um deus.
Eles foram levados diretamente ao hotel reservado pelo anfitrião do evento. Assim que atravessaram a entrada, Sara sentiu que aquele lugar não tinha sido feito para pessoas como ela. O piso brilhava demais, o cheiro era caro demais, e todos pareciam saber exatamente onde pisar.
Renato caminhava à frente, cumprimentando funcionários e recebendo acenos respeitosos, como se aquele fosse apenas mais um território sob seu domínio. Ela o seguia alguns passos atrás, sentindo-se pequena demais naquele cenário.
O elevador subiu em silêncio. Quando as portas se abriram, um corredor amplo e silencioso os recebeu. Renato abriu a porta da suíte sem cerimônia.
Sara entrou e parou no mesmo instante.
A sala era ampla, com janelas enormes, móveis claros e uma varanda que dava vista para a cidade. Mas foi ao avançar alguns passos que o ar lhe faltou. O quarto se revelava logo adiante, e no centro dele havia uma única cama, grande demais para não ser notada.
Ela engoliu em seco.
— Renato… — chamou, com a voz saindo tensa.
Ele deixou a mala perto do sofá, como se tudo fosse perfeitamente normal.
— O que foi agora?
Ela apontou para o quarto.
— Você está vendo aquilo?
— A cama? — Ele respondeu, sem se virar.
— Não faça isso comigo. — Cruzou os braços, tentando conter o nervosismo. — Não me disse que ficaríamos no mesmo quarto.
Ele finalmente a encarou.
— Eu não disse que ficaríamos em quartos separados.
— Isso é diferente.
— Não, não é.
Sara respirou fundo, sentindo o coração bater acelerado.
— Eu não vou dividir quarto com você.
— Vai sim — ele respondeu, calmo demais. — É uma suíte presidencial. Foi o que o anfitrião reservou.
— Que reserve outra, então.
Já meio impaciente, ele deu um passo em sua direção.
— Você não entendeu ainda? Isso não é sobre o que você quer. É sobre o que esperam ver.

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