— Raquel?
Sua voz falhou ao ver a irmã sorridente, bebendo um drink no bar, ao lado de um homem alto e loiro.
Sem acreditar no que via, deixou o celular de lado e se levantou, indo em direção a eles. Aproximou-se sem ser notada de imediato; levou alguns instantes até que Raquel percebesse sua presença.
Quando a viu, o sorriso da irmã desapareceu por completo. Os olhos se arregalaram, como se tivessem acabado de ver um fantasma.
— Patinha… — Raquel sussurrou.
— Raquel, o que você está fazendo aqui? — Sara perguntou, aproximando-se mais, ainda incrédula.
O homem ao lado de Raquel olhou para ela com uma expressão confusa.
— Quem é essa, amor? — perguntou.
— Ninguém importante, não se preocupe — respondeu Raquel, largando o copo do drink no balcão.
“Ninguém importante”, a realidade de que a irmã sempre a tratou com indiferença a golpeou.
O homem loiro alternou o olhar entre as duas, claramente incômodo, mas depois ignorou, afastando-se para conversar com outras pessoas como se nada estivesse acontecendo.
— Ninguém importante? — Sara repetiu, com a voz baixa. — Sempre foi assim, não é mesmo?
Revirando o olhar, Raquel a segurou pelo braço e a puxou para um lugar mais afastado, onde poderiam conversar mais à vontade sem serem observadas.
— Não é hora para isso, Sara.
— Nunca é, não é? — Ela deu um passo à frente. — Você some, deixa todo mundo em pânico, e eu te encontro aqui, tomando sol, bebendo, como se nada tivesse acontecido.
— O que faz aqui?
— O que faço aqui? — Sara repetiu, incrédula. — Eu é que deveria perguntar o que você faz aqui depois de deixar todo o caos para trás.
— Para de drama.
— Drama? — Ela riu, sem humor. — Se você soubesse o que aconteceu depois que você fugiu de casa…
— Eu não quero saber! — Raquel cortou, rápida demais. — Eu não estou nem aí para o que aconteceu depois que saí. Como pode ver, estou ocupada demais sendo feliz e curtindo a vida que eu mereço.
— Como você consegue ser tão fria assim? — perguntou, descrente.
Impaciente, Raquel revirou os olhos.
— Ai, meu Deus… você sempre foi assim, exagerada. Tudo vira tragédia na sua cabeça.
— Exagerada? Você não conseguiu criar problemas só para si, mas para todos à sua volta. Você tem noção do inferno que estou passando por sua culpa?
— Ai, como você é chata — Raquel respondeu, zombando. — Sempre dramatizando tudo. O que faz aqui, hein? — questionou, estreitando os olhos. — Por acaso, nossos pais te mandaram me procurar?
— Quem me dera se fosse isso — Sara rebateu. — Quem me dera se o problema fosse apenas você.
Raquel franziu a testa.
— Então, o que é, afinal?
Avaliando a postura da irmã por alguns segundos, Sara se perguntou se valia a pena dizer o que estava acontecendo ou deixava a bomba estourar sozinha na hora certa.
Antes que pudesse dizer qualquer coisa, Raquel se aproximou mais e tocou o rosto dela, analisando-a de perto.
— Espera… — disse, sorrindo de canto. — Você não está com aquela coisa feia no rosto.
Sara franziu o cenho.
— Os óculos — Raquel ironizou. — Por acaso está conseguindo enxergar sem eles agora?
O silêncio se instalou entre elas. Raquel virou o rosto para o bar novamente, deixando claro que, para ela, aquela conversa já tinha acabado.
— Eu não vim até aqui para resolver pendências — disse, fria. — Vim para viver, então, se me ver por aí novamente, me ignore, do mesmo modo que farei a partir de agora com você.
Sem esperar resposta, virou-se e se afastou, caminhando em direção ao bar como se aquela conversa nunca tivesse existido. Não olhou para trás.
Sozinha no meio daquele espaço bonito, Sara permaneceu sozinha por alguns instantes, até que respirou fundo, engoliu o nó na garganta e se afastou, sem saber exatamente para onde ir. Apenas precisava sair dali.
Do outro lado do ambiente, Raquel voltou ao bar. Alessandro percebeu sua aproximação e passou imediatamente o braço pela cintura dela, puxando-a para perto.
— Está tudo bem, amor? — perguntou, baixo, encostando o corpo no dela.
— Está sim — respondeu, sem hesitar.
Ele lançou um olhar rápido na direção de onde Sara estivera.
— Quem era aquela mulher?
Raquel não demonstrou nenhuma alteração.
— Já te disse que não é ninguém importante. Não se preocupe.
Alessandro assentiu, satisfeito com a resposta.
— Tudo bem. — Fez sinal para o barman. — Vamos beber mais um pouco e depois subir para o quarto. Quero muito aproveitar a estadia nesse lugar com você… antes do baile.
Relaxada, Raquel sorriu, como se nada tivesse peso algum.
— Iremos aproveitar, meu amor. Não se preocupe. Nada vai atrapalhar a nossa vida.
Ela se inclinou e selou os lábios nos dele, lenta e segura, deixando claro que, para ela, nada mais importava.

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