Quando retornou ao quarto, Sara abriu a porta de uma vez e se deparou com Renato deitado na cama, vestindo apenas a cueca, mexendo no celular como se estivesse completamente à vontade.
A cena a deixou nervosa. Ela desviou o olhar imediatamente, sentindo o rosto esquentar, enquanto ele continuava exatamente do mesmo jeito, como se a presença dela não o abalasse nem um pouco.
— Achei que iria demorar mais — disse ele, sem tirar os olhos da tela.
— Bem que eu queria — respondeu, seca. — Mas você disse que chegariam algumas coisas, então resolvi voltar para não me atrasar.
Renato largou o celular sobre a cama e, só então, a encarou, avaliando-a em silêncio.
— Fez bem — comentou por fim. — Odeio atrasos.
Respirando fundo, ela mantinha-se perto da porta, como se aquela distância ainda pudesse protegê-la.
— Parece meio nervosa. Aconteceu alguma coisa? — Ele observou.
— Não, não aconteceu nada — respondeu rápido demais, imaginando qual seria a reação dele ao descobrir que Raquel e Alessandro estavam hospedados naquele mesmo hotel.
Renato a analisou por alguns segundos, como se estivesse tentando ler algo além das palavras.
— Tem certeza?
— Sim. — Mordeu os lábios, evitando encará-lo por mais tempo. — Vou tomar um banho.
Sem esperar resposta, caminhou em direção ao banheiro, sentindo o olhar dele acompanhá-la até a porta se fechar. O barulho da água, segundos depois, foi a única coisa que conseguiu abafar o turbilhão de pensamentos que se formava em sua cabeça.
Quando saiu do banho, atravessou o banheiro ainda sentindo o vapor quente na pele. Abriu a porta do quarto distraída, mas parou no mesmo instante.
A cama estava coberta.
Vestidos longos, tecidos finos, cores sóbrias e outras ousadas. Havia rendas delicadas, cortes elegantes, brilhos. Tudo organizado como se alguém tivesse pensado em cada detalhe.
Ela franziu o cenho, confusa.
— O que é isso? — perguntou, aproximando-se devagar.
Ainda deitado na cama, mas agora vestido com uma calça e uma camisa casual, Renato respondeu:
— São seus.
Ainda tentando entender, ela passou os dedos em um dos vestidos.
— Meus?
— Sim. — Ele se levantou. — Alguns são para quando sairmos juntos. Jantares, eventos… situações em que você precise estar comigo.
Ela ergueu o olhar, surpresa.
— Você já decidiu tudo isso?
— Decidi o necessário — respondeu, simples. — Experimente esse — ordenou, apontando para um dos vestidos.
— Eu não sou seu manequim — rebateu, irritada.
Renato não se abalou.
— Você é o que quero que seja. — O tom saiu ríspido. — Vamos a um jantar hoje à noite e quero que esteja apresentável.
Sara apertou os lábios. Não adiantava discutir. Resignada, pegou o vestido indicado e caminhou até o banheiro.
Assim que o vestiu, percebeu o problema.
O decote era fundo demais, deixava as costas quase completamente expostas e a fenda revelava parte das coxas. O tecido moldava o corpo de um jeito que a deixava desconfortável, exposta demais para alguém que não estava acostumada àquele tipo de atenção.
Tentou fechar o zíper nas costas, esticou o braço, forçou mais um pouco.
Nada.
— Droga… — murmurou, tentando outra vez.
— Precisa de ajuda? — A voz dele veio do outro lado da porta.
Antes que pudesse responder, a porta do banheiro se abriu, Renato entrou sem pedir permissão.
O olhar dele percorreu o reflexo dela no espelho lentamente. Não havia pressa, nem surpresa. Apenas avaliação.
Sara sentiu o rosto queimar e cruzou os braços instintivamente.
— Eu não consegui fechar — disse, incomodada.
Ele se aproximou, parando a poucos passos dela.
— Imaginei — respondeu, baixo.
Ele estendeu a mão até o zíper.
— Fique parada.
Ela hesitou por um segundo, mas obedeceu. Sentiu os dedos dele tocarem suas costas de leve, frios demais em contraste com a pele quente. O zíper subiu devagar.

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