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Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 42

Sara Lemos.

— O que pensa que está fazendo? — perguntei, empurrando-o para longe de mim.

— O que foi? — Ele provocou. — Não quer fazer isso?

— Claro que não — respondi depressa. — Por que eu iria querer beijar você?

Renato se afastou, abrindo um sorriso cínico, como se estivesse se divertindo com a minha reação.

— Não finja que não sente nada, Sara.

— E por que eu sentiria algo por um homem que foi o noivo da minha irmã? — rebati.

— Você disse certo — ele respondeu, sem perder o sorriso. — Eu fui. Não sou mais.

— Para mim, continua exatamente do mesmo jeito — protestei. — Além disso, você sempre deixou claro a serventia que tenho para você. Não volte a tentar me beijar, está me ouvindo? — avisei.

— Tudo bem — respondeu, erguendo o braço em rendição. — Como quiser.

Respirei fundo antes de falar.

— Agora que já me viu com o vestido, pode me ajudar a tirá-lo? — pedi, consciente de que precisava dele para aquilo.

— Claro.

Virei-me de costas, sentindo a presença dele se aproximar. Renato deslizou o zíper com uma calma excessiva, como se fizesse questão de prolongar o momento. Mesmo sem olhar, eu sabia: a provocação continuava ali, silenciosa e compassada.

— Seria divertido se você cedesse — ele murmurou perto do meu ouvido, antes de se afastar.

Ouvi a porta se fechar.

Sozinha, encarei meu reflexo no espelho. Meu rosto estava corado, os olhos mais brilhantes do que eu gostaria de admitir. Por mais que não quisesse, aquele homem conseguia me abalar de um jeito que eu não sabia explicar.

Eu sabia que ele estava jogando comigo. E sabia também que, quando conseguisse o que queria, faria questão de esfregar na minha cara que eu não era diferente da minha irmã.

Por isso, eu precisava ser esperta. Mais do que nunca.

Sem saber o que fazer naquele quarto, permaneci mais tempo na varanda, olhando o celular, pensando se ligava para a minha mãe ou não. A indecisão venceu. Acabei deixando o aparelho de lado.

Quando a noite já se aproximava, uma maquiadora apareceu no quarto para me ajudar. Confesso que fiquei surpresa, mas logo entendi que Renato não estava brincando quando disse que queria uma esposa bem apresentada.

Ela trabalhou em silêncio, concentrada. Quando terminou, pediu que eu me aproximasse do espelho e dissesse se precisava de algum ajuste.

Assim que vi o meu reflexo, não acreditei no que via.

Nem eu mesma me reconhecia. Nunca, em toda a minha vida, tinha me sentido tão bonita daquele jeito. Pisquei os olhos várias vezes, como se precisasse confirmar que aquela imagem era realmente minha.

— O que achou? — perguntou a maquiadora.

— Perfeito — foi tudo o que consegui responder.

Ela sorriu, satisfeita, despediu-se e deixou o quarto.

Respirei fundo e saí da sala onde estava me arrumando, caminhando em direção ao quarto. Renato estava ajustando o relógio no pulso quando ergueu os olhos.

E paralisou.

Em silêncio, ele se aproximou de mim com passos lentos.

— Está melhor do que pensei — confessou quando parou à minha frente.

Disse que o jantar seria casual, que eu não precisava me esforçar. Bastava sorrir, concordar com a cabeça e fingir interesse no que as pessoas estivessem dizendo.

Como se aquilo fosse fácil.

Quando chegamos ao restaurante do hotel, minhas pernas tremeram. Nunca, em toda a minha vida, havia visto tanta gente bem vestida e aparentemente importante reunida no mesmo lugar. Homens de ternos impecáveis, mulheres elegantes, conversas baixas, risadas discretas.

Minha primeira reação foi querer fugir.

Instintivamente, reduzi o passo, mas senti a mão firme dele segurar minha cintura, impedindo qualquer recuo. O toque era possessivo e seguro demais para ser ignorado.

Ele virou o rosto em minha direção e sussurrou, baixo, perto demais do meu ouvido:

— Vamos lá, Sara. Não me faça passar vergonha.

— Eu não quero ficar aqui — confessei, em voz baixa.

— Você não tem escolha — ele respondeu, seco.

Sem nenhuma cerimônia, ele me guiou pelo salão, com a mão ainda firme em minha cintura. No meio do caminho, Renato cumprimentava algumas pessoas com naturalidade, como se aquele ambiente fosse a extensão da própria casa.

Eu apenas assentia quando alguém me dirigia a palavra, tentando lembrar das instruções que ele havia me dado minutos antes.

Nos sentamos em uma mesa no centro do salão com um casal e, enquanto Renato conversava, deixei meu olhar percorrer o salão. Não foi difícil identificar quem realmente pertencia àquele mundo e quem apenas tentava se encaixar.

E então eu a vi.

Raquel estava alguns metros à frente, sentada a uma mesa próxima à janela, rindo de algo que Alessandro dizia. Elegante, relaxada, perfeitamente à vontade naquele cenário que me sufocava.

De repente, a ansiedade me atingiu em cheio. Desde o instante em que a vi, eu sabia que era apenas uma questão de tempo até que Renato também a percebesse. E, quando isso acontecesse, eu nem queria imaginar o caos que tudo aquilo poderia se tornar.

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