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Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 5

Renato Salles

Bem… pensando melhor, devia corrigir: ela não era tão feia assim.

Mas era absurdamente diferente da Raquel. E acho que foi isso que me pegou de surpresa no primeiro instante. O contraste era gritante. A comparação? Inevitável.

As sobrancelhas estavam por fazer. Os olhos, apesar de verdes, não tinham um traço de maquiagem, nem cílios alongados que os deixassem marcantes. A boca era fina, nada carnuda como a da Raquel. Olhando bem, dava para apostar que aquela mulher nunca passou por nenhum procedimento estético. Tudo nela era natural. Natural até demais.

E eu… não queria beijá-la. Nem a pau.

Mas quando olhei por cima do ombro e vi a expectativa estampada nos rostos dos convidados, não tive saída. Sei que alguns estavam com o olhar confuso ao ver a noiva, mas eram poucas pessoas assim, já que a maioria não conhecia a Raquel, então, como eu estava agindo com naturalidade, não ousaram dizer nada. Manter a pose foi tudo o que me restou. Não seria eu a levantar mais uma suspeita naquele circo.

Então, para preservar minha imagem e o pouco de controle que ainda me restava, me inclinei e a beijei.

Foi rápido. Simples. Sem gosto. Sem alma.

Mas quando nos afastamos, vi nos olhos dela a expressão de nojo.

Nojo?!

Como é que ela ousou fazer aquela cara?! Eu é que devia estar com nojo da situação toda. Eu fui traído. Fui eu o enganado. A irmã dela que armou esse espetáculo vergonhoso. E ela fez essa cara para mim?

Aquela expressão escancarada de desprezo me acertou como um soco no estômago. Por um segundo, se estivéssemos a sós, eu teria dito umas boas verdades. Mas não. Ainda estávamos cercados por testemunhas. E eu sabia o que vinha a seguir: os parabéns, os abraços, os flashes, as palmadinhas nas costas.

Não. Não mesmo.

Inclinei-me de novo, ajustei o véu no rosto dela e murmurei:

— Quando eu der o sinal… você corre comigo.

— O quê?! — ela sussurrou, confusa.

Mas não dei tempo para mais perguntas. Antes que começasse a avalanche de cumprimentos, segurei sua mão e a puxei com força.

Ela vinha meio perdida, tropeçando nos próprios passos, então a segurei mais forte. Caminhamos rapidamente até a porta da igreja.

Felizmente, os convidados não acharam estranho. Afinal, eu mesmo havia avisado que fugiria com a minha noiva para a lua de mel logo após a cerimônia. Pelo menos isso estava a nosso favor.

Do lado de fora, o carro já nos aguardava. Abri a porta e pedi que ela entrasse, mas ela parecia… desorientada. Como se não soubesse onde estava.

— Você é cega ou o quê? — questionei, impaciente.

Antes que ela respondesse, os convidados começaram a sair da igreja, então simplesmente abri a porta, empurrei-a para dentro e entrei logo em seguida, ordenando ao motorista que arrancasse o carro dali com pressa.

Sentindo o peso daquele casamento falso na ponta dos dedos, percebi que ela retirou o véu do rosto e semicerrou os olhos, com dificuldade para focar.

— Meus óculos… — ela murmurou, ainda com os olhos semicerrados.

— Que óculos? — perguntei, franzindo a testa.

— Os que uso para enxergar… — ela respondeu baixinho, quase encolhida no banco. — Preciso deles. Sem eles, eu não enxergo quase nada.

— Desce — ordenei.

— Onde estamos? — Ela perguntou, tentando focar em alguma coisa.

— Na minha cas… — pausei, apenas para saborear a ironia. — Na nossa casa.

Ela percebeu o deboche. Ficou visível no jeito como hesitou antes de abrir a porta. Mas obedeceu. Desceu do carro devagar, com passos incertos, visivelmente perdida.

Perfeita para o papel que o destino reservou para ela.

Como a ideia já estava formada na minha mente, não perdi tempo. Me aproximei dela devagar e segurei sua cintura, sentindo o corpo tenso sob minhas mãos.

— Eu te guio — murmurei ao seu ouvido.

Notei que os pelos do braço dela se arrepiaram. Medo, talvez. Ou só o desconforto de estar sendo tocada por alguém que ela mal conhecia. Mas eu não recuei.

— Se puder me emprestar seu telefone… — ela pediu com a voz hesitante. — Eu queria ligar para os meus pais e pedir que tragam meus óculos e minha roupa também. Quero muito tirar esse vestido.

— No momento, você não vai precisar nem do óculos e nem da roupa — continuei, encostando os lábios perto de seu ouvido, com o tom baixo e provocativo.

Ela ficou imóvel.

— Você vai, sim, tirar esse vestido — acrescentei com um sorriso torto — mas não vai precisar de nada. Porque o que vamos fazer aqui… é algo que não exige nada além da pele.

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