Tão distraída com a paisagem, Sara nem percebeu o olhar de Humberto sobre ela. Ele se aproximou um pouco mais e apontou para além das árvores.
— Ali atrás tem uma trilha que leva até uma cachoeira. Poucas pessoas têm acesso, já que o senhor Renato é dono da propriedade e não gosta de visitantes.
— Que soberba — comentou, sem pensar. — Possuir um lugar tão lindo e mantê-lo fechado assim… isso soa mesquinho.
Humberto se surpreendeu com a franqueza, mas não a contradisse.
— É um pouco mesmo — admitiu. — Ainda mais porque nem ele aproveita o lugar.
— Bem a cara dele — disparou.
Mordendo levemente os lábios, ele desviou o olhar da paisagem e voltou a observá-la por alguns segundos antes de falar.
— Parece que você não gosta muito do patrão.
— Tenho minhas opiniões sobre ele — rebateu, encarando-o.
— Mesmo assim, continua aqui — comentou. — Não é?
— E para onde eu iria? — respondeu, sem rodeios. — Como te disse, minha situação não mudou em nada.
— Já te falei mais de uma vez que você pode vir comigo, Sara.
— E te prejudicar? — questionou de imediato.
— Isso não me prejudicaria em nada.
Ela parou. Pensou. Sentiu um peso apertar o peito. Antes, teria aceitado aquela ajuda sem hesitar. Mas agora… agora tudo estava diferente.
— As coisas não são mais tão simples assim — explicou, por fim.
— O que mudou? — insistiu Humberto. — Me diz.
Sara desviou o olhar. Não seria direta a ponto de admitir que agora estava envolvida com Renato, mas também não precisava explicar. Humberto sabia. Sabia que os dois dormiam no mesmo quarto.
— Você sabe… — comentou, evitando encará-lo.
Humberto respirou fundo antes de responder.
— Eu não me importo com o que você tem que fazer por desespero — disse, com segurança. — Se me disser que ainda sente vontade de ir embora daqui, eu vou te ajudar da mesma forma.
Sara sentiu o nó no peito apertar ainda mais. Não respondeu de imediato. Apenas ficou ali, ouvindo o som da água, tentando entender quando exatamente tudo havia deixado de ser simples.
— Quero muito sair daqui — confessou, depois de um instante. — Mas prometi que ajudaria o Renato. Então, enquanto eu for útil, ficarei.
Humberto a observou com atenção.
— Que estranho… — comentou. — Você não gosta dele, mas está pensando primeiro nele, não em você.
— É o que acha?
— É o que vejo — rebateu.
— Já te disse que não é tão simples — respondeu, sentindo a confusão voltar.
— Tudo bem — apaziguou ele, percebendo o desconforto dela. — Eu só quero que saiba que, não importa o que decida, pode contar comigo.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Esposa substituta: Prometo te odiar!