Ao notar o desespero de Lorena, o coração de Sara disparou e as mãos começaram a tremer. Ainda assim, algo mais forte falou mais alto. Por instinto, aproximou-se dele, ignorando o sangue, o caos e o medo que tentava paralisá-la.
O peito dele ainda subia e descia, irregular, mas subia.
— Ele não está morto — disse, levando a mão ao rosto dele, como se precisasse confirmar aquilo em voz alta.
O toque fez Renato reagir levemente.
— Renato… — chamou, com urgência. — Você me ouve?
Ele franziu a testa, como se estivesse lutando para voltar à consciência. Um gemido baixo escapou de seus lábios.
— Olha para mim — insistiu Sara, segurando-lhe o rosto com cuidado. — Fica acordado, por favor. Só mais um pouco.
Ela se virou para Lorena, que já estava chorando desesperada, e ordenou.
— Não fique parada aí, pegue o celular e chame um médico!
— O médico ou uma ambulância vão demorar —, Lorena respondeu, histérica. — Estamos longe da cidade.
— Mas precisamos fazer algo — Sara disparou.
Vendo que Lorena não parecia raciocinar bem naquele momento, ela gritou chamando por ajuda. Algumas funcionárias, inclusive Odete, apareceram.
— Me ajudem a colocá-lo no banco de trás — ordenou.
As mulheres se entreolharam, como se uma estivesse esperando a atitude da outra. Só quando Odete se disponibilizou para ajudá-la, é que elas começaram a se mover também.
Renato era pesado e, desacordado, parecia pesar o dobro, mesmo assim, conseguiram deitá-lo no banco de trás.
— Liguem para uma ambulância e peçam para virem depressa nos encontrar no caminho.
Sem perder tempo, Sara assumiu o lugar do banco do motorista e ligou o carro.
Quando viu o que ela pretendia fazer, Lorena a segurou pelo braço e gritou.
— O que pensa que está fazendo?
— Estou tentando salvar a vida dele — respondeu, criando coragem que nem sabia de onde vinha.
— Quem você pensa que é para fazer isso?
— Preciso mesmo ser alguém importante para ajudar uma pessoa ferida?
— Eu não confio em você! — disparou. — Quem me garante que não vai terminar de matá-lo?
— Pode ter certeza de uma coisa, o Renato corre risco de vida se continuar aqui, com uma pessoa que nem você, que não tem atitude para nada.
Sem se importar com mais nada, empurrou Lorena e fechou a porta do veículo.
— Eu vou com você — Odete disse no mesmo instante, entrando no carro.
— Vá atrás com ele e o ajude a ficar acordado.
Assim que a senhora entrou no carro, Sara saiu dali, acelerando o carro no meio da escuridão.

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