Na emergência médica, o médico plantonista examinava Renato, que permanecia desacordado sobre a maca.
— Ele perdeu muito sangue — disse, analisando-o. — Uma das balas perfurou uma veia importante da perna. Precisamos fazer uma cirurgia de emergência para retirar a bala — informou o médico.
— Levem-no para a sala de cirurgia agora mesmo! — disse o outro médico.
Enquanto Renato era levado para a sala de cirurgia, Sara continuava ali na recepção, esperando por notícias dele.
— A senhora também parece ferida — disse a enfermeira, observando suas pernas. — Vamos para a sala de procedimentos cuidar disso.
— Não precisa — respondeu, minimizando. — Não é nada.
A enfermeira foi firme.
— Vai por mim, senhora. Uma ferida infeccionada pode causar mais dor de cabeça do que imagina.
Sabendo que havia verdade naquilo, acabou cedendo e a acompanhou até a sala de procedimentos. Sentou-se na maca enquanto a enfermeira começava a limpar os cortes com cuidado. O ardor a fez cerrar os dentes, mas não reclamou.
— A senhora devia estar muito preocupada com o seu marido para não sentir esses ferimentos, não é mesmo? — comentou a enfermeira, tentando puxar conversa.
A palavra marido soou estranha. Ainda assim, ela respondeu sem hesitar:
— Sim. Quando o vi ferido… não consegui pensar em mais nada.
— Ele vai ficar bem, não se preocupe — disse a enfermeira, tentando tranquilizá-la. — Vou buscar notícias dele agora mesmo.
Deixando Sara um pouco a sós, a enfermeira saiu. O silêncio daquele quarto pequeno parecia pesado demais. Alguns minutos depois, ela voltou, com o semblante sério, porém controlado.
— Seu marido está passando por uma cirurgia de emergência para a retirada das balas — informou. — Ele perdeu muito sangue e vai precisar de transfusão.
Naquele momento, sentiu o coração apertar.
— Meu Deus… — levou a mão à boca.
Por mais que não sentisse nada por Renato, não conseguia deixar de se solidarizar com ele, ainda mais depois de vê-lo naquele estado, frágil, inconsciente, lutando pela própria vida.
— Não se preocupe, senhora — disse a enfermeira, em tom calmo. — Ele vai ficar bem. Tenha fé.
Após receber os cuidados, Sara deixou a sala de procedimentos e seguiu em busca de Odete. Precisava vê-la, precisava de alguém conhecido naquele ambiente frio e impessoal. No entanto, assim que chegou à recepção, a cena que encontrou a fez parar.
Lorena estava ali, gesticulando exageradamente, com a voz elevada, chamando a atenção de todos ao redor.
— Como assim vocês não podem me dar notícias sobre ele? — questionava, num tom claramente histérico. — Isso é um absurdo!
A atendente mantinha a postura, apesar do constrangimento.
— Senhora, temos protocolos no hospital. Não podemos passar informações para pessoas que não são familiares diretos.
Tomada pela indignação, Lorena arregalou os olhos.
— Sua incompetente! — disparou. — Onde está o seu superior? Vou relatar agora mesmo o descaso de vocês!
Sem conseguir acreditar no que estava presenciando, Sara notou como Lorena parecia outra pessoa ali. A aura era completamente diferente daquela postura submissa e controlada que mantinha perto de Renato. Ali, diante dos funcionários do hospital, ela era altiva, agressiva, autoritária. Sara chegou a se perguntar se Renato conhecia aquele lado dela, ou se preferia fingir que ele não existia.
Deu um passo à frente, pensando em intervir, em ao menos tentar acalmar a situação.
Mas não teve tempo.
— Estão retirando as balas — explicou. — Uma delas atingiu uma veia importante da perna. A situação é delicada.
Soltando o braço dela, Lorena levou a mão à boca.
— E por que não me avisaram antes? — questionou, alterada. — Eu tenho direito de saber!
— O hospital só passa informações para familiares — respondeu, com cuidado.
— E por que passaram informações para uma pessoa tão insignificante como você? — disparou, sem se importar com o tom.
O comentário a atingiu em cheio. Ainda assim, Sara não respondeu no mesmo nível. Respirou fundo e falou com calma:
— Eu sou a esposa do Renato.
Por um segundo, houve silêncio.
— Esposa? — Lorena repetiu, desdenhando no mesmo instante. Soltou uma risada curta, nervosa, quase histérica. — Isso só pode ser uma piada.
— Não é — respondeu, sem alterar a voz. — É assim que ele me apresenta para as pessoas, goste você ou não.
O riso de Lorena cessou de repente. O olhar dela escureceu.
— Você acha mesmo que isso te torna alguma coisa? — questionou, dando um passo à frente. — Todo mundo sabe que você não passa de um nada!
— Isso não é hora para questionarmos isso — disse por fim, percebendo que Lorena não lhe daria tréguas. — Só fiz o que precisava ser feito.
— Você se aproveitou da situação — acusou Lorena, cerrando os dentes. — Mas fique ciente de uma coisa, se algo de ruim acontecer com ele, fique sabendo que você será a única culpada de tudo!

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