Aproximando-se do carro de Renato, Sara parou por um instante para observar o estado em que o veículo havia ficado. A lataria estava marcada por vários tiros. Não precisou pensar muito para entender: se todas aquelas balas haviam sido disparadas contra ele, alguém realmente queria vê-lo morto.
Abriu a porta devagar.
No banco, havia estilhaços de vidro espalhados, misturados ao sangue de Renato. O cheiro metálico ainda estava ali, forte demais. Mais uma vez, sua mente voltou para ele, para o modo como o encontrou, ferido e quase sem forças.
Renato sempre pareceu inabalável. Forte. No controle. Vê-lo naquela condição, tão vulnerável, não combinava com a imagem que tinha dele.
— Meu Deus… ele não merece isso — sussurrou, sentindo o peito apertar.
Pensou em quem poderia ter feito aquilo contra ele e, no mesmo instante, a imagem de Raquel e Alessandro surgiu em sua mente. O corpo se arrepiou inteiro, como se tivesse sido atravessado por um aviso.
— Não… — murmurou, sentindo um frio percorrer a espinha. — Eles não teriam coragem de fazer algo assim… teriam?
A dúvida ficou em sua mente. Por mais que tentasse afastar aquele pensamento, ele insistia em voltar, pesado demais para ser ignorado. Porque, no fundo, Sara sabia: havia ódio suficiente ali para ultrapassar limites que ninguém imaginava.
Sabia que o correto seria comunicar à polícia sobre tudo o que tinha acontecido. Aquele não foi um ataque comum, e as marcas no carro deixavam isso claro. Ainda assim, sentia que não deveria se meter. Como a própria Lorena havia feito questão de lembrá-la, ela não era ninguém naquele contexto.
Restava-lhe apenas esperar.
Esperar com fé que Renato saísse daquela sala de cirurgia, que se recuperasse e, quando estivesse forte o suficiente, fizesse o que precisava ser feito. Porque aquela história não havia terminado naquela estrada, apenas havia começado.
Quando estava prestes a entrar no carro para partir, ouviu uma voz conhecida chamar por seu nome.
— Sara!
Ela se virou e viu Odete vindo em sua direção, com o semblante abatido e os olhos cansados.
— Oi, Odete — respondeu, com a voz baixa.
— Onde você está indo? — perguntou, confusa.
— Vou voltar para a fazenda.
— Como assim? — Odete franziu a testa. — Você não vai ficar aqui?
— A Lorena chegou e disse que vai ficar responsável por tudo. Disse que eu não precisava mais estar aqui.
Odete parou por um instante, assimilando a informação. O silêncio dela dizia mais do que qualquer palavra.
— Ela mandou você embora? — perguntou, com cuidado.
Sara deu de ombros, como se aquilo não tivesse importância, embora doesse.
— De certa forma… disse que minha presença não era mais importante.
Claramente contrariada, Odete apertou os lábios.
— Isso não está certo — murmurou. — Foi você quem o trouxe, quem ficou ao lado dele desde o começo.

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