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Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 82

No corredor do centro cirúrgico, Lorena caminhava de um lado para o outro, sem conseguir parar. O nervosismo era visível. Renato não era somente seu patrão. Era o homem por quem era apaixonada havia anos, mesmo que nunca tivesse tido coragem de assumir aquilo em voz alta.

A incerteza sobre a gravidade dos ferimentos a deixava inquieta. Não sabia o que fazer, nem que decisão tomar. Tudo parecia fora de controle, e isso a incomodava mais do que gostaria de admitir.

Por um instante, pensou em ligar para Constança e contar o que havia acontecido. Chegou a pegar o celular, mas desistiu. Tinha medo da reação de Renato ao saber que ela tomara aquela atitude sem o consentimento dele. Além disso, sabia que, se Constança aparecesse ali, seria afastada imediatamente. E aquilo, de modo algum, era algo que estava disposta a aceitar.

— Meu Deus… — murmurou, levando as mãos ao rosto. — Por favor, não deixe que nada de mal aconteça com ele.

Pedia em silêncio, quase implorando, para que Renato saísse vivo daquela sala.

As horas passavam lentamente. O relógio parecia zombar de sua ansiedade. Quando se deu conta, a madrugada já havia avançado, e o cansaço começava a pesar no corpo. Ainda assim, permaneceu ali, de pé, firme, determinada a não sair daquele corredor enquanto não tivesse uma resposta.

Porque, para ela, tudo girava em torno de Renato.

A cirurgia terminou quando o dia já começava a clarear. Pouco depois, uma enfermeira apareceu no corredor e informou que tudo havia corrido bem e que Renato seria levado para a sala de observação.

— Quero ficar com ele — disse Lorena, apressada.

— Claro, senhora — respondeu a enfermeira. — O paciente não pode ficar sem um acompanhante.

— Então me leve até lá agora mesmo! — exigiu, num tom áspero.

A enfermeira não gostou da forma como foi tratada, mas preferiu não confrontar. Atribuiu aquilo ao estresse do momento.

— Me acompanhe — pediu, caminhando pelo corredor.

Assim que entrou no quarto, Lorena viu Renato deitado na cama, ainda desacordado. O rosto estava pálido, os braços marcados por curativos e soro. Aquela imagem fez seu coração apertar.

— O efeito da sedação ainda vai durar um pouco — explicou a enfermeira. — Quando ele acordar, pode ficar confuso, desorientado. É importante que tenha alguém por perto para acalmá-lo.

Lorena se aproximou da cama e segurou a mão dele com cuidado.

— Eu vou ficar — garantiu. — Não vou sair daqui.

A enfermeira assentiu e fez os últimos ajustes nos aparelhos.

— Qualquer alteração, chame a equipe — orientou antes de sair.

Sozinha no quarto, Lorena se inclinou sobre a cama, tentando ficar o mais próxima possível dele. Nunca teve a oportunidade de estar assim, tão próxima, sem barreiras, sem testemunhas. E sabia que aquele momento era único, algo que atribuía aos céus.

— Meu amor… — sussurrou, aproximando o rosto do dele.

A voz saiu baixa, quase num segredo. Sabia que, acordado, jamais teria coragem de dizer aquilo. Por isso, aproveitou o silêncio, a inconsciência, a fragilidade.

Afastou-se devagar, encostou sua testa na dele e sussurrou:

— Me ame, me ame, me ame!

Repetia aquilo em voz baixa, quase como um mantra. Talvez acreditasse que aquelas palavras encontrariam algum caminho até o subconsciente dele, que se infiltrariam em seus pensamentos enquanto dormia. Talvez quisesse acreditar que, ao acordar e vê-la ali, Renato despertaria diferente, com outra percepção, outra escolha já formada sem saber exatamente o porquê.

— Me ame… — murmurava, insistente.

Cada repetição parecia reforçar sua própria crença.

De repente, notou que Renato começou a se mover. No início, foram apenas pequenos gestos, quase imperceptíveis, como se estivesse inquieto. O coração dela disparou.

No mesmo instante, afastou-se dele. Endireitou a postura, enxugou as lágrimas com pressa e tentou recompor o rosto, como se nada tivesse acontecido. Ficou ali, observando-o atentamente.

Os lábios dele começaram a se mover, sussurrando algo tão baixo que ela não conseguiu entender.

— Renato? — chamou, com cuidado. — Você está me ouvindo?

Ele franziu levemente a testa, respirou fundo e, devagar, virou o rosto na direção dela. Os olhos se abriram com dificuldade, ainda pesados pela sedação.

— Sa… ra?

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