No corredor do centro cirúrgico, Lorena caminhava de um lado para o outro, sem conseguir parar. O nervosismo era visível. Renato não era somente seu patrão. Era o homem por quem era apaixonada havia anos, mesmo que nunca tivesse tido coragem de assumir aquilo em voz alta.
A incerteza sobre a gravidade dos ferimentos a deixava inquieta. Não sabia o que fazer, nem que decisão tomar. Tudo parecia fora de controle, e isso a incomodava mais do que gostaria de admitir.
Por um instante, pensou em ligar para Constança e contar o que havia acontecido. Chegou a pegar o celular, mas desistiu. Tinha medo da reação de Renato ao saber que ela tomara aquela atitude sem o consentimento dele. Além disso, sabia que, se Constança aparecesse ali, seria afastada imediatamente. E aquilo, de modo algum, era algo que estava disposta a aceitar.
— Meu Deus… — murmurou, levando as mãos ao rosto. — Por favor, não deixe que nada de mal aconteça com ele.
Pedia em silêncio, quase implorando, para que Renato saísse vivo daquela sala.
As horas passavam lentamente. O relógio parecia zombar de sua ansiedade. Quando se deu conta, a madrugada já havia avançado, e o cansaço começava a pesar no corpo. Ainda assim, permaneceu ali, de pé, firme, determinada a não sair daquele corredor enquanto não tivesse uma resposta.
Porque, para ela, tudo girava em torno de Renato.
A cirurgia terminou quando o dia já começava a clarear. Pouco depois, uma enfermeira apareceu no corredor e informou que tudo havia corrido bem e que Renato seria levado para a sala de observação.
— Quero ficar com ele — disse Lorena, apressada.
— Claro, senhora — respondeu a enfermeira. — O paciente não pode ficar sem um acompanhante.
— Então me leve até lá agora mesmo! — exigiu, num tom áspero.
A enfermeira não gostou da forma como foi tratada, mas preferiu não confrontar. Atribuiu aquilo ao estresse do momento.
— Me acompanhe — pediu, caminhando pelo corredor.
Assim que entrou no quarto, Lorena viu Renato deitado na cama, ainda desacordado. O rosto estava pálido, os braços marcados por curativos e soro. Aquela imagem fez seu coração apertar.
— O efeito da sedação ainda vai durar um pouco — explicou a enfermeira. — Quando ele acordar, pode ficar confuso, desorientado. É importante que tenha alguém por perto para acalmá-lo.
Lorena se aproximou da cama e segurou a mão dele com cuidado.
— Eu vou ficar — garantiu. — Não vou sair daqui.
A enfermeira assentiu e fez os últimos ajustes nos aparelhos.
— Qualquer alteração, chame a equipe — orientou antes de sair.
Sozinha no quarto, Lorena se inclinou sobre a cama, tentando ficar o mais próxima possível dele. Nunca teve a oportunidade de estar assim, tão próxima, sem barreiras, sem testemunhas. E sabia que aquele momento era único, algo que atribuía aos céus.
— Meu amor… — sussurrou, aproximando o rosto do dele.
A voz saiu baixa, quase num segredo. Sabia que, acordado, jamais teria coragem de dizer aquilo. Por isso, aproveitou o silêncio, a inconsciência, a fragilidade.


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