Ao ouvir o nome sair da boca dele, Lorena foi tomada por uma raiva tão intensa que fechou os punhos no mesmo instante. A feição suave se desfez, dando lugar a algo frio e perturbador, quase assustador. Por um breve segundo, deixou escapar o que realmente sentia, antes de se recompor, como se nada tivesse acontecido.
— Não… — disse apressada, aproximando-se da cama. — Sou eu, Lorena. Você está no hospital. Foi tudo muito grave, mas agora está seguro.
Renato piscou algumas vezes, tentando focar. O olhar passeou pelo quarto, pelos aparelhos, pelo soro preso ao braço. A confusão era evidente.
— Onde… — tentou falar, mesmo com a voz fraca. — Onde ela está?
Lorena engoliu em seco.
— Você passou por uma cirurgia — explicou, ignorando a pergunta. — Perdeu muito sangue. Precisa ficar calmo.
Ele respirou com dificuldade e fechou os olhos por um instante. Quando voltou a abri-los, o olhar parecia mais lúcido.
— A Sara… — insistiu. — Onde ela está?
O silêncio de Lorena durou um segundo a mais do que deveria.
— Eu não sei onde ela está — respondeu, com o tom seco. — Não a vi.
Renato não disse nada. Apenas desviou o olhar para o teto. A expressão no rosto não era de alívio. Era de inquietação.
Mas Lorena não conseguia deixar de sentir ciúme.
Era ela quem estava ali. Havia ficado. Estava cuidando.
E, mesmo assim, o nome que ele chamava não era o dela.
Tentando ficar mais lúcido, ele levantou o braço que não estava ferido e levou a mão à testa, como se tentasse reorganizar os próprios pensamentos.
— Como foi que cheguei aqui? — perguntou, confuso.
No mesmo instante, Lorena estreitou os olhos, encarando-o com atenção.
— Você não se lembra? — questionou.
— Não — respondeu depressa. — A única coisa de que me lembro é de ter chegado ferido à fazenda… buzinei para chamar a atenção de alguém na casa.
A voz saiu fraca. Ele fechou os olhos por um momento, respirou fundo e voltou a encará-la.
— Depois disso… tudo ficou escuro.
Vendo o quanto ele estava vulnerável e confuso, Lorena enxergou ali a oportunidade perfeita para distorcer os fatos.
— Bem… isso é verdade — respondeu, adotando um tom manso e cuidadoso. — Eu estava bebendo um copo de água quando ouvi o barulho insistente da buzina do seu carro. Fiquei preocupada, larguei tudo e corri para ver o que estava acontecendo.
Renato a observava em silêncio, atento.
— Quando cheguei perto — continuou —, vi seu carro parado de um jeito estranho. Na mesma hora, percebi que algo muito errado havia acontecido. Me aproximei depressa, abri a porta… e foi quando te vi todo ensanguentado.

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