Entrar Via

Esposa substituta: Prometo te odiar! romance Capítulo 84

Quando chegou à fazenda, ainda de madrugada, Sara foi recebida por Eliene, uma das empregadas. O olhar da mulher se arregalou ao notar suas roupas manchadas de sangue e os cortes visíveis pelo corpo.

Embora não quisesse trocar nenhuma palavra com ela, Eliene estava preocupada em relação ao patrão.

— Como o senhor Renato está? — perguntou, preocupada.

— Ele ficou no hospital — respondeu, com a voz cansada. — Estava em cirurgia quando saí de lá.

— Você saiu sem saber do desfecho? — questionou, surpresa.

— A Lorena ficou com ele — explicou. — Ela é a pessoa mais adequada para acompanhá-lo nesse momento.

Repetia aquilo quase como um esforço para convencer a si mesma. No fundo, não acreditava nas próprias palavras. Se fosse sincera, queria estar ao lado dele.

— É verdade — Eliene concordou, com um tom que soou como provocação. — A Lorena é mesmo a pessoa mais adequada. Ela conhece o Renato como ninguém. Ele confia nela de olhos fechados… ao contrário de algumas pessoas.

Sara poderia rebater, mas estava emocionalmente exausta para discutir. Não disse nada. Somente deixou Eliene para trás e seguiu em direção ao quarto de Renato.

Assim que entrou ali, sentiu um vazio estranho. A ausência dele era mais pesada do que imaginava. Tentando ignorar aquilo, decidiu tomar um banho para tirar o sangue do corpo e da mente.

Entrou no banheiro, despiu as roupas manchadas e, ao se olhar no espelho, percebeu que estava em puro estado de sobrevivência. Só então notou o quanto os ferimentos em seu corpo estavam feios, marcados, como se até aquilo tivesse passado despercebido diante de tudo o que viveu. Ligou o chuveiro. A água caiu quente sobre a pele, levando consigo o cheiro de hospital. Ainda assim, nada parecia suficiente para aliviar o peso que carregava no peito.

Pegou o shampoo no nicho e passou pelo cabelo. No mesmo instante, sentiu o cheiro de Renato. Aquilo a pegou de surpresa. Algo dentro dela despertou estranhamente, como se a falta dele ali fosse mais forte do que deveria ser.

— Espero que ele fique bem — sussurrou, enquanto o vapor tomava conta do banheiro.

Depois do banho, voltou para o quarto e se deitou na cama. Assim que encostou a cabeça no travesseiro, sentiu novamente o cheiro dele. O peito apertou.

Era estranho tudo o que estava sentindo. Talvez fosse apenas o impacto de tê-lo visto tão ferido, tão vulnerável. Talvez fosse cansaço. Ou talvez fosse algo que ela ainda não estava pronta para admitir.

Embora estivesse exausta, não conseguiu pregar os olhos nem por um minuto. Quando o dia amanheceu, levantou-se devagar, vestiu uma roupa confortável e foi até a cozinha preparar um pouco de café. Sabia que Odete não estava ali e, como nenhuma das funcionárias teve a educação de lhe desejar ao menos um bom dia, serviu-se sozinha.

Comeu em silêncio, sem sentir muito o gosto da comida.

Depois, pegou as chaves do veículo de Renato e saiu da casa. Quando estava prestes a entrar no veículo, parou de repente. O carro tinha marcas do ataque. Vidros quebrados, sangue seco. Aquilo deveria ser preservado para a perícia, quando a polícia fosse informada.

— Mas como eu vou para lá se só tem esse carro aqui? — pensou, apreensiva.

Foi então que uma ideia lhe ocorreu. Humberto. Ele sempre estava por perto e poderia lhe dar uma carona.

— Seja como for — disse ele, após alguns minutos —, o Renato é forte. Vai sair dessa.

Quando já estavam próximos da cidade, o celular dela começou a tocar. Ao ver um número desconhecido na tela, hesitou por um segundo, mas atendeu mesmo assim.

— Sara? — A voz conhecida de Odete soou do outro lado da linha.

— Odete? — disse depressa. — Graças a Deus, você ligou. Fiquei a noite inteira esperando notícias suas.

— Me perdoe por não ligar antes — pediu, constrangida. — O Renato demorou muito para sair da sala de cirurgia e, quando finalmente saiu, levei um tempo até conseguir informações. Além disso, não consegui falar com a Lorena.

— E agora? — Sara perguntou, apreensiva. — Você já sabe como foi a cirurgia?

— Sim — respondeu, com alívio na voz. — Uma enfermeira foi muito gentil e me contou que correu tudo bem. As balas foram retiradas com segurança. O Renato já foi levado para o quarto e vai ficar em observação.

No mesmo instante, Sara sentiu o corpo relaxar. O ar voltou aos pulmões com mais facilidade. Ouvir aquilo foi como um bálsamo, aliviando um peso que parecia esmagar seu peito desde a noite anterior.

— Graças a Deus… — murmurou, quase sem perceber.

Humberto lançou-lhe um olhar rápido, atento à mudança imediata em sua expressão. Não disse nada, mas percebeu que aquilo ia além de simples alívio. Havia algo mais ali: uma preocupação intensa e profunda, como se Renato ocupasse um espaço no coração dela muito maior do que ela própria admitia.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Esposa substituta: Prometo te odiar!