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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 104

~ GENEVIEVE ~

A confirmação de Zara chegou pelo celular e eu sorri antes de guardar o aparelho na bolsa.

Tinha ido ao hospital mais cedo para ver Arthur, mas errei o timing — a Helena me informou que ele tinha saído com aquela cordialidade profissional de secretária que não deixa espaço para perguntas extras. Então foi ótimo que Zara tivesse topado o convite, porque pelo menos a viagem não seria completamente em vão. Ela ainda ia demorar. Estava saindo da faculdade provavelmente agora, levaria uns vinte, trinta minutos para chegar dependendo do trânsito. Mas tudo bem, eu podia esperar no restaurante enquanto tomava um suco.

Quando estava chegando ao restaurante, porém, olhei para a parede de vidro da fachada e vi Arthur lá dentro.

Estava sendo conduzido pelo maître até a salinha particular que eu sabia que ele sempre preferia. Eu conhecia aquele hábito melhor do que qualquer pessoa — inclusive melhor do que a Zara, que ainda estava aprendendo quem ele era em camadas. Eu tinha anos. Tinha histórias. Tinha o privilégio de conhecê-lo antes que qualquer proteção estivesse no lugar, antes que ele aprendesse a ser cauteloso com quem deixava entrar.

O restaurante ficava muito próximo do hospital, e se ele ficasse em uma mesa comum ia acabar sendo abordado por parente de paciente. Certa vez que tínhamos almoçado juntos, isso tinha acontecido — alguém passou o almoço inteiro descrevendo o caso do filho internado, pedindo uma palavra de conforto que ele nunca sabia recusar. Eu percebi que ele mal tocou no prato depois.

— Você precisa comer num local mais privativo — eu tinha dito — ou nunca vai almoçar direito.

— Não me importo de conversar com os parentes dos pacientes — ele respondeu, daquele jeito dele que parecia indiferença mas era na verdade excesso de responsabilidade.

— Pois eu acho que seus pacientes vão se importar muito se você morrer de desnutrição.

Ele riu. E acabou acatando. Sempre acatava quando eu dizia as coisas certas do jeito certo. Eu sabia quais eram essas coisas. Sabia há muito tempo — muito antes de ele saber que eu sabia.

Entrei.

— Boa tarde! — cumprimentei o maître com o sorriso que eu usava quando queria que as coisas acontecessem sem resistência, sem verificação, sem espera. — Pode me levar até a mesa de Arthur Sartori, por favor?

— Senhorita Bragança, só preciso verificar se...

— Ah, não precisa verificar. Ele está me esperando. Na verdade, nem precisa me acompanhar.

E entrei antes que ele respondesse, seguindo direto para a salinha com a familiaridade de quem conhece o caminho.

Arthur levantou os olhos quando entrei. Estava terminando o pedido com a garçonete — a lista de coisas que ele sempre pedia, na ordem de sempre, com as restrições de sempre. Eu sabia de cor. Fui me sentando ao lado enquanto ele terminava.

— Passei no hospital para te ver, mas você não estava.

— Já almoçou? — Ele indicou a garçonete com a cabeça, me dando abertura para fazer meu próprio pedido.

— Só um suco. — Pedi e esperei a garçonete se retirar, deixando o silêncio crescer naturalmente. — Vou almoçar com a Zara. Ela deve chegar daqui a pouco. Te faço companhia até lá.

— Você disse que passou no hospital. Tinha algo importante para falar comigo?

Mordi o lábio inferior, como se estivesse pesando as palavras, como se estivesse travada entre o querer falar e o não querer trair.

— Ah, bem... sim. Mas não sei se é o melhor momento.

— Para com isso. — Ele sorriu, mas os olhos já estavam sérios. — Precisamos de momentos certos para conversar agora?

Confirmei com a cabeça devagar, muito devagar, dando ao gesto o peso que precisava ter. E então falei, com a voz de quem está carregando algo que preferia não carregar:

— Não quero trair a Zara. Mas vou te contar isso porque me importo com vocês dois. Na verdade... me importo com você. Somos amigos há tanto tempo e eu não consigo ficar calada sabendo que você pode estar sendo enganado.

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