Entrar Via

INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 103

Os dias foram passando, e eu fui me dando conta de que esconder uma gravidez de um médico que morava na mesma casa que você era significativamente mais difícil do que eu tinha imaginado.

Não era a barriga — essa ainda estava bem imperceptível. Quando eu tocava, conseguia sentir alguma coisa diferente, uma firmeza sutil que não estava lá antes, mas não era nada que alguém de fora pudesse notar. E também não era como se Arthur me estivesse vendo sem roupa. A gente não tinha o menor clima ainda — o luto, o processo da Leonora, a tensão constante de tudo que estava acontecendo havia criado entre nós uma distância física que nenhum dos dois tinha nomeado mas que os dois sentiam.

Eram os sintomas.

Correr para o banheiro toda manhã, quando os enjoos chegavam sem aviso e sem piedade (eu sempre tentava usar o de hóspedes para ele não perceber). Precisar sair de onde quer que estivesse no momento em que a bexiga decidia que não esperava mais. E o caso do perfume, que tinha sido de longe o mais difícil de administrar.

O perfume de Arthur — aquele cheiro específico de sândalo que eu tinha aprendido a associar à segurança, à presença dele, a tudo que era bom — tinha passado a me dar ânsia. Do nada. Sem motivo aparente que eu pudesse oferecer além da gravidez que eu não podia mencionar.

Então dei a ele um perfume novo.

— Achei que você gostasse do meu cheiro — ele tinha estranhado, olhando para a caixa com aquela expressão de genuína confusão.

— Amo. É só caso você queira experimentar algo diferente.

Ele tinha aceitado com carinho, usado por um dia, e voltado ao habitual no dia seguinte. O que tornava cada vez mais difícil para mim ficar perto dele em lugares fechados sem fazer uma cara que ele ia eventualmente perguntar sobre.

Mas o pior mesmo era o humor.

Eu conseguia ir de oito a oitenta em segundos, me irritando com coisas completamente banais e depois sentindo vontade de chorar porque tinha me irritado. Um ciclo exaustivo que eu não conseguia controlar por mais que tentasse.

Em um domingo à tarde, estávamos na sala de TV quando o anúncio do noticiário entrou no intervalo do que assistíamos. Fariam uma reportagem sobre uma praga que tinha devastado a safra de castanha-do-pará no Amazonas, causando falta do produto nas prateleiras. Coisa séria para quem dependia da cadeia produtiva, mas que, para a maioria das pessoas assistindo, era o tipo de notícia que passa sem deixar rastro.

Quando eu falei, minha voz saiu com uma raiva que nem eu mesma entendi.

— Isso é um absurdo — falei, me virando para a TV como se o apresentador pudesse me ouvir. — Que absurdo total. Os caras lá destruindo a floresta inteira e depois ficam surpresos quando a safra some? Que surpresa, hein! E agora, como fica?

— Você... queria comer castanha? — Arthur perguntou, com cuidado.

— Não é sobre mim! — Virei para ele. — Existem pessoas lá fora que dependem disso para sobreviver. Isso importa.

— Eu sei! Eu sei, claro. Isso é importante, mas...

Ele ficou me olhando por alguns segundos em silêncio.

— Você tem certeza de que está bem?

— Você tem certeza de que está bem? — Arthur tinha perguntado, com aquela cautela de quem está avaliando a situação.

— Não, não estou — eu tinha admitido, antes de me levantar para sair correndo para o quarto. — Só quero ficar sozinha.

Ele me deu espaço. Não ficou na porta, não mandou mensagem, não fez nada do que eu esperava que um homem fizesse quando estava confuso e sem entender o que tinha acontecido.

Horas depois, uma torta gigante de chocolate com castanhas foi levada ao meu quarto por um dos funcionários, com um bilhete simples que dizia só: espero que ajude.

Fiquei olhando para aquilo por um tempo antes de começar a comer direto da forma, sem prato.

Fui muito grata por aquilo. E fiquei pensando que talvez Arthur entendesse mais do que eu achava. Que talvez ele percebesse que algo estava diferente, mas estava esperando que eu chegasse até ele no meu tempo. O problema era que o meu tempo, naquele momento, era indefinido.

Por sorte, as férias da faculdade tinham acabado, e retomar as aulas foi uma bênção disfarçada. Ter alguma coisa que precisasse da minha atenção além dos meus próprios pensamentos era exatamente o que eu precisava.

Mas o estranho é que magicamente alguma coisa tinha mudado: eu tinha parado de ser alvo.

Não que tivessem me aceitado de braços abertos. Não era isso. Era mais como se eu tivesse deixado de existir como alvo viável — como se atacar a neta do Augusto Altieri, casada com Arthur Sartori, não valesse mais o esforço social. Eu sempre soube que era assim que funcionava. Foi por isso que inventei um namorado rico e, no fim, tinha dado mais certo do que eu poderia ter imaginado.

Capítulo 103 1

Verify captcha to read the content.VERIFYCAPTCHA_LABEL

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO