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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 11

Acordei com o pescoço travado e dolorido me lembrando que eu tinha tomado uma decisão péssima ao achar que dormir sentada no chão do banheiro era uma opção viável. Bom, não era exatamente como se eu tivesse tido escolha, não é? E nem tinha sido a primeira vez. Mas talvez fosse a última!

O tiroteio tinha parado. Provavelmente em algum momento da madrugada.

Pisquei devagar, meus olhos correndo direto para o sangue seco no chão do lado aposto.

Levantei, abri a porta, olhei para a sala. O sofá estava vazio. A casa estava quieta. Arthur tinha ido embora. Claro que tinha.

Dei de ombros e tentei não pensar nisso por mais de três segundos, o que considerei uma vitória pessoal.

Foi quando olhei para baixo e me lembrei que ainda estava usando aquele vestido. Aquele vestido preto que eu tinha alugado para o baile, que tinha sobrevivido ao jardim do hotel, ao lago do parque, ao beco do morro e a uma noite de chão de banheiro, e que agora parecia uma prova material de tudo que tinha dado errado no meu fim de semana. A seda estava manchada, amassada, com um rasgo pequeno na barra que eu não sabia quando tinha acontecido e preferia não calcular o custo.

— Quinhentos mil reais, Zara — murmurei, tentando manter em mente que minha vida não seria mais essa merda por muito tempo. — Só mais uma semana e quinhentos mil reais na sua conta.

O domingo passou sem incidentes notáveis. Eu arrumei um bico de faxina no começo da tarde, limpei um apartamento de dois quartos em Botafogo, recebi em dinheiro e parei no mercado na volta para comprar o suficiente para não passar fome até a próxima semana.

Enquanto guardava as compras, fui adiando um pensamento que estava esperando na fila desde a manhã.

A faculdade.

Segunda-feira. Santa Trindade. Alícia.

A faculdade inteira sabendo que eu tinha inventado aquela história de namorado rico.

— Eu já nem sei mais com qual problema me preocupar primeiro... — murmurei.

Alícia era daquele tipo de pessoa que não precisava de motivo para ser cruel, mas quando tinha motivo ficava inspirada. E ela tinha motivo de sobra.

— Olha quem voltou. — Ela anunciou para o grupo todo no corredor, com aquela voz de apresentadora de reality show que eu odiava. — A Cinderela do morro. Alguém devolveu o sapatinho de cristal ou você ainda tá tentando enfiar o pé na porta de algum herdeiro?

Risadas. Algumas constrangidas, mas a maioria não.

Passei reto.

Na terça, um dos garotos do grupo dela se aproximou na fila do refeitório. Falou alto o suficiente para as três mesas ao redor ouvirem:

— Quanto você cobra? Perguntando por um amigo, claro.

Risadas.

Alícia, dois lugares atrás, jogou lenha:

— Cuidado, gente. Ela tá doidinha pra fisgar um herdeiro. Já tentou com o Arthur Sartori, imagina com vocês.

Revirei os olhos tentando conter a raiva. Não consegui.

— Ah, por favor, Alícia. Como se você mesma não estivesse desesperada por um marido. Ouvi você dizendo que seus pais estão te pressionando. — Inclinei a cabeça. — Tá difícil, né? Já que o Gustavo só que te pegar no sigilo.

O sorriso dela congelou.

Aproveitei o segundo de silêncio e saí.

Na quarta, tínhamos aula prática no hospital escola. Era a parte do curso que eu amava com uma intensidade que me envergonhava um pouco, aquela sensação de que eu pertencia àquele lugar de um jeito que não pertencia a mais nenhum.

Aproveitei o intervalo para ir até o laboratório.

Fábio era dois anos mais velho que eu, estava na residência de patologia clínica e me devia um favor de uma vez que eu tinha ficado cobrindo o plantão dele. Bati na porta do lab, entrei, e coloquei em cima da bancada um envelope plástico com duas coisas: um tubinho com minha própria amostra de sangue que eu tinha colhido em casa com material do kit, e um chumaço de cabelos enrolado em papel alumínio.

Eu tinha pegado aquilo da escova de cabelo do senhor Augusto enquanto ele me mostrava a mansão e pedi para usar o banheiro de sua suíte. Quero dizer... eu não sabia se usaria. Mas... era melhor ter do que não ter, não era?

Capítulo 11 1

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