~ ARTHUR ~
Dizer aquilo em voz alta tornou tudo muito mais real.
Porque antes, o que se passava pela minha cabeça era que, onde quer que a Zara estivesse, ela simplesmente não queria falar comigo, não queria voltar para casa ou para o hospital. Mas voltaria para as aulas. Porque a Zara era extremamente dedicada aos estudos, e também porque a faculdade era um lugar onde ela não esperaria me encontrar, então não teria problema em aparecer.
Mas ela não estava em lugar nenhum. E se a Alícia também estava sumida mais ou menos desde o mesmo horário, aquilo não podia ser coincidência.
— Juntas? — Angélica me encarou com uma mistura de incredulidade e começo de pânico. — Mas Arthur, por mais que eu diga para aquela menina que ela precisa andar com boas companhias, ela e a Zara não são exatamente amigas, são?
Não eram. O que tornava tudo bem mais estranho.
— Você disse que ela não dá notícias desde o horário do almoço de ontem?
— Sim. Ela me disse que ia almoçar em um restaurante próximo ao Sartori & Altieri antes de ir para lá. — Ela acrescentou, com aquela teimosia de quem não consegue largar uma teoria mesmo quando ela está desmontando: — Imaginei que estaria com esse moleque.
— Já disse que não tenho nada a ver com isso! — Gustavo levantou as duas mãos, exasperado. — Tentei mandar mensagem, ela não me responde também.
— Devemos... devemos ir à polícia? — Angélica perguntou, a voz mais fina do que antes.
Devíamos? A Zara tinha seus problemas em envolver polícia na sua vida — eu sabia disso, sabia de onde vinha aquela relação complicada com autoridade. Mas agora ela estava desaparecida. E talvez não fosse por vontade própria.
— Não — disse, com mais firmeza do que eu me sentia. — Mas sei por onde devemos começar.
O restaurante ainda estava fechado quando chegamos, mas consegui que nos deixassem entrar novamente. A equipe de limpeza e a cozinha já estavam lá, e fui direto ao ponto.
— Preciso saber se uma outra moça esteve aqui ontem para o almoço. Alícia Lacerda.
O funcionário verificou no sistema e balançou a cabeça.
— Não consta nenhuma conta no nome dela, doutor.
— Mas se outra pessoa pagou, vocês não teriam esse registro — Angélica interveio, com aquela lógica afiada de mãe que estava tentando encontrar qualquer brecha.
— Não, senhora. Mas podemos verificar caso a senhora tenha o nome de quem almoçou com ela.
— Podemos esperar o maître — sugeri. — Ele certamente conhece a Alícia e se lembraria dela.
— Ele ainda vai demorar algumas horas, doutor Arthur.
— Tudo bem. Esperamos.
Angélica ficou inquieta durante toda a espera, alternando entre ficar parada e se levantar para andar em círculos pequenos com se precisasse que o corpo fizesse alguma coisa enquanto a cabeça não consegue parar. Eu entendia, mas não conseguia acompanhar. Fiquei sentado, processando.
— Deveríamos estar falando com a polícia agora — Angélica disse, em algum ponto.
— Precisamos ter cuidado com os próximos passos.
VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO