~ ARTHUR ~
Tentei entrar em contato com Zara mais algumas vezes ao longo da noite.
Mensagens que não entregavam, ligações que caíam direto na caixa postal. Ela estava ignorando, claramente. Mas havia algo naquele silêncio que estava começando a pesar mais do que deveria.
Zara tinha história com pessoas complicadas. Eu sabia disso. Mas ela estava com motorista e segurança o tempo todo que estava na rua — era o que tínhamos combinado, era o que ela tinha aceitado.
Liguei para o motorista.
— Boa noite, doutor Arthur.
— Boa noite. Desculpe pelo horário, mas preciso saber se você deixou a Zara em algum lugar hoje?
— Deixei a senhora Zara no restaurante próximo ao hospital, para o almoço. Ela me dispensou e disse que caminharia até o hospital depois. — Ele fez uma pausa. — Como ela não me ligou mais na hora da saída, imaginei que tivesse voltado de carona com o senhor. Algum problema com ela?
— Não. Nenhum problema. Por enquanto.
Desliguei.
Fiquei olhando para o telefone por um segundo antes de discar para a Genevieve. Teoricamente ela deveria ter sido a última a ver a Zara, já que tinham planejado almoçar juntas.
— Genevieve, a Zara apareceu pra te encontrar para o almoço?
— Não. — A voz dela soou preocupada na medida certa. — E não respondeu minhas mensagens depois disso também. Vocês conversaram? Está tudo bem com ela?
Não me dei ao trabalho de responder.
Porque uma linha de raciocínio tinha começado a se formar na minha cabeça enquanto ela falava. O timing teria que ter sido perfeito — ou perfeitamente errado — mas o destino tinha lá o seu senso de humor.
Peguei o carro o carro e dirigi rapidamente, precisava confirmar minhas suspeitas.
O restaurante já estava fechado para a limpeza quando cheguei, mas havia luz dentro. Bati na porta e um funcionário abriu com aquela expressão de quem está prestes a explicar o horário de funcionamento.
— Eu sei que está fechado. Mas precisava verificar uma coisa. Tem alguém da equipe da parte da tarde ainda aqui?
— Olha, a maioria já foi embora, mas... acho que o maître ainda está finalizando uns registros.
— Pode chamá-lo, por favor?
Esperou alguns minutos até o maître aparecer, com aquela compostura profissional que só vacilou levemente quando me viu.
— Doutor Sartori. Em que posso ajudar?
— Minha esposa. Ela esteve aqui hoje para o almoço?
Não me dei ao trabalho de explicar quem era a minha esposa, pois um profissional como ele conhecia todos os principais clientes com a mesma eficiência que conhecia sua própria família.
Ele ficou levemente sem graça, o que me disse mais do que qualquer resposta verbal poderia.
— Sim, senhor. A senhora Zara esteve aqui. Mas não ficou para o almoço.
— Ela comentou alguma coisa ao ir embora?
— Não, senhor. Ela... saiu apressada.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO