~ ARTHUR ~
Dormi no carro. Porque sim, eu tinha saído da mansão levando o carro que estava usando e foda-se.
Mas dormir nele não foi exatamente uma decisão pensada. Foi só o que aconteceu quando eu parei num estacionamento qualquer depois de ficar horas rodando sem rumo porque não tinha para onde ir e o cansaço finalmente venceu a adrenalina que tinha me mantido em movimento o dia inteiro. Acordei com o pescoço torto e a luz do sol batendo no para-brisa de um jeito que não tinha nada de gentil.
Peguei o celular. Thomas tinha mandado três mensagens durante a madrugada.
"Levantando o que consigo sobre os homens do beco."
"Preciso de mais tempo."
"Tô em algo. Ligo quando tiver notícias."
Guardei o telefone. Saí do carro, estiquei o pescoço que estava com aquela dor de quem dormiu numa posição que um humano nenhum deveria dormir, e fui andando até a primeira padaria que encontrei. Pedi um café com o dinheiro em espécie que meu pai tinha me dado e fiquei sentado em uma mesa pequena perto da janela tentando organizar o que tinha.
Mas o que eu tinha era pouco.
Sem acesso ao hospital. Sem acesso aos meus apartamentos. Sem acesso à mansão. Sem acesso às minhas contas. Sem a Zara.
A verdade é que eu só tinha uma teoria.
Tinha ficado acordado boa parte da noite no carro pensando naquele clique que tinha tido na frente da Leonora. E se o exame original — o que tinha dado negativo, o que eu tinha alterado para proteger a Zara — já tivesse sido manipulado antes de mim?
Se isso fosse verdade, o exame real tinha dado positivo. A Zara era neta do Augusto de verdade. E eu tinha passado semanas carregando um segredo que não precisava ser segredo, alterando um registro que já estava errado, protegendo a Zara de uma mentira que outra pessoa tinha construído.
Eu tinha muitos problemas para resolver. O mais urgente era encontrar a Zara. Mas o Thomas estava nisso, e tudo que eu fizesse agora, com a cabeça no estado em que estava, podia apenas piorar.
Então fui para o segundo problema mais iminente: entender se minha teoria estava certa.
Porque antes de haver esse exame feito no Sartori & Altieri, havia um outro.
O primeiro exame — o que tinha dado positivo, o que tinha sido o ponto de partida de tudo, o que a Zara tinha apresentado ao Augusto como prova de quem ela era — tinha sido feito no hospital escola da faculdade onde ela estudava. Era lá que eu precisava ir. Se a Leonora estava investigando a Zara com aquela profundidade, fazia sentido que ela tivesse tentado agir nos dois lados — tanto no segundo exame quanto no original.
Paguei o café, guardei o troco e fui.
O hospital escola era o tipo de lugar que eu conhecia bem de uma perspectiva institucional — o Sartori & Altieri financiava vários projetos ali. Meu rosto era conhecido lá.
Cheguei, me identifiquei na recepção com o argumento de estar fazendo uma visita técnica para uma pesquisa institucional — o que não era completamente mentira, já que eu tinha feito isso várias vezes ao longo dos anos, e a recepcionista me reconheceu antes que eu terminasse de explicar — e fui conduzido ao laboratório de análises clínicas sem maiores perguntas.
Um dos residentes que trabalhava ali naquele horário veio ao meu encontro. Jovem, crachá pendurado, postura de quem ainda está tentando provar que pertence ao lugar mas que claramente pertencia.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO