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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 120

~ ARTHUR ~

Fábio não quis conversar ali — um olhar rápido para os lados, um gesto discreto com a cabeça que dizia que aquele não era o lugar nem o momento — e eu não insisti. Esperei até a hora do almoço dele sentado num banco do lado de fora do hospital escola com o celular na mão fingindo verificar mensagens, observando a movimentação do lugar com aquela atenção dispersa de quem tem muita coisa na cabeça e nenhuma delas pode ser resolvida naquele instante.

Quando ele saiu, encontrei-o na calçada.

Fomos a um restaurante por quilo que ficava a dois quarteirões dali, daqueles lugares sem pretensão onde ninguém presta atenção em ninguém porque todo mundo está com pressa, olhando para o próprio prato e já pensando em voltar para o trabalho. Um bom lugar para conversar sobre coisas que não deveriam ser ouvidas.

— Então — falei, depois que nos sentamos. — Você disse que Leonora fez uma proposta.

— Leonora? — Ele pensou por um segundo. — Sim, acho que esse era o nome dela. Você a conhece?

— Melhor do que gostaria.

— Ela queria que eu apagasse os registros do teste de parentesco que a Zara fez há alguns meses. Algo sobre um avô desaparecido. Disse que o resultado tinha criado uma confusão familiar e que o mais correto seria que aquele registro simplesmente não existisse mais.

— E o que você respondeu?

— Que não podia fazer isso, é claro. — Ele disse aquilo com aquela simplicidade de quem não entende por que a pergunta precisou ser feita. — Sabe, doutor, eu não faço ideia do que estava por trás do pedido dela, mas uma coisa que aprendi cedo é que a corda sempre arrebenta pro lado mais fraco. Não me meto com nada errado, porque sei que vai sobrar pra mim.

— Bom. — Deixei aquilo assentar por um segundo. — Muito bom. Fábio, preciso que você se lembre com atenção sobre aquele exame. Foi um positivo, certo? Confirmação de parentesco entre a Zara e o avô dela.

— Ah, sim. — Ele confirmou sem hesitar. — Com uma margem muito boa, inclusive. Daquelas que não deixam dúvida.

— Não há a menor chance de esse exame ter sido adulterado? Na época?

Ele me olhou com uma expressão que dizia que a pergunta era quase ofensiva.

— Eu mesmo fui o responsável pelo exame.

Aquilo era suficiente como resposta. E só confirmava o que, a essa altura, eu já acreditava com todas as minhas forças: a Zara nunca tinha mentido. Por mais que eu mesmo tivesse pedido um segundo exame — em outro laboratório, em um lugar onde eu achava que podia confiar mais nos controles —, por mais que a dúvida tivesse entrado sem ser convidada naqueles meses todos, a verdade estava ali, clara e documentada por um residente que não tinha motivo nenhum para mentir.

A Zara não era golpista. Nunca foi. Mas havia pessoas importantes conspirando para fazer com que ela soasse como uma, e essas pessoas tinham recursos, paciência e acesso suficientes para tornar aquela mentira convincente.

— Doutor. — A voz de Fábio me trouxe de volta. — Tem algo mais que você deveria saber.

Levantei os olhos do prato.

— Eu não sou o único que trabalha naquele laboratório.

— O que quer dizer com isso?

Capítulo 120 1

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