~ ARTHUR ~
— Genevieve? — A palavra saiu incrédula, meus olhos fixos na foto no celular do Thomas. Genevieve e Leonora parecendo muito íntimas em uma cafeteria. — Você não pode estar falando sério.
— Eu sei o quanto você gosta dela...
— E eu sei o quanto você sempre desconfiou dela. — Pausei, me corrigindo antes que ele respondesse. — Quero dizer, você sabe que confio minha própria vida a você. É só que... talvez sua antipatia por ela possa te fazer ver o que não está lá.
Thomas não respondeu. Se levantou da mesa, foi até a sala, e ouvi alguns barulhos — gavetas, alguma coisa sendo movida — antes de ele voltar. Jogou um envelope pardo na mesa à minha frente.
— Todas as provas obtidas pelos nossos detetives. — Disse, com a calma de quem não precisa de tom dramático porque o conteúdo fala por si. — Fotos, transcrições de conversas, diversas ocasiões. Infelizmente elas não falaram nada que possa ser usado diretamente como prova jurídica. Mas foi exatamente por isso que disse que você precisa agir. Para arrancar dela o que ainda não temos.
Peguei o envelope. Abri devagar, como quem está esperando que o conteúdo seja diferente do que já suspeita que vai ser.
Fotos primeiro. Genevieve e Leonora num restaurante — data no canto inferior, semanas antes do casamento, o que significava que aquele relacionamento existia muito antes de qualquer coisa que ela pudesse alegar ter sido coincidência. Genevieve sorrindo para Leonora com aquela facilidade de quem não está num primeiro encontro, com aquele conforto de quem já construiu confiança suficiente para não precisar mais de esforço.
Mais fotos. Diferentes ocasiões, diferentes lugares, sempre as duas.
Depois as transcrições. Mensagens trocadas com números não identificados — mas os detalhes dentro delas não precisavam de nome para serem reconhecíveis. A rotina da Zara. O hospital. Informações sobre mim que só alguém de dentro saberia, ou alguém que tivesse acesso a quem estava de dentro.
Fechei o envelope devagar e o empurrei para o centro da mesa.
Fiquei olhando para ele por alguns segundos sem dizer nada.
— Eu não sei. Quero dizer... eu sei. Posso fazer isso. Mas não agora. — Me levantei, encostei as mãos na mesa e olhei para ele. — Agora eu preciso focar em achar a Zara. Não é porque você me diz que ela está com o pai e que ele a está protegendo que eu vou conseguir ficar aqui sentado sem fazer nada.
— E qual é a sua outra opção, Arthur? — Thomas me encarou com paciência, por mais que eu soubesse que não ia gostar do que ele ia dizer a seguir. — Porque sinceramente, você não tem muitas. Ou vai até a polícia e torce para pegar alguém que não tenha sido corrompido pela Leonora e também não tenha sido corrompido pela facção rival ao pai da Zara. Ou você pega uma arma e sobe o morro com a cara e a coragem.
Vi o momento exato em que ele percebeu que eu tinha levado a segunda opção a sério demais. Uma contração sutil ao redor dos olhos, a postura mudando levemente antes mesmo que ele falasse.
— Arthur... não!
Já estava me movendo em direção ao quarto dele.
Eu sabia exatamente onde ele escondia o cofre — era uma coisa nossa, uma convenção que tínhamos estabelecido há anos, que se um dia algo acontecesse a um de nós, o outro teria acesso a documentos importantes, a coisas que não podiam ficar inacessíveis. Ele sabia dos meus cofres, eu sabia dos dele. Era confiança do tipo que não precisa de contrato.
Destranquei. Tirei a Glock 19 que eu sabia que ele guardava ali.
— Tá carregada?
— Arthur, solta isso...
— Tá carregada?
— Tá. Tá carregada. — Ele veio até a porta do quarto, me olhando com aquela expressão que misturava preocupação com a consciência de que argumentar comigo quando eu tinha tomado uma direção raramente funcionava. — Mas você tá pensando em fazer uma loucura. Vai ser morto antes de chegar perto da Zara se tentar essa abordagem. Você sabe disso.

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