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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 135

~ ARTHUR ~

Comecei a me mover em direção ao meu carro, talvez mais pela força do hábito.

— Quem dita o ritmo do plantão aqui sou eu, pegou a visão? — Marreta disse, deixando claro que era eu quem deveria segui-lo e o meu carro não era o destino.

Fiz um gesto concordando. Não era o momento de discutir hierarquia.

Saímos da garagem, atravessamos a saída do condomínio — o porteiro nos viu passar e olhou para outro lado de uma forma bem suspeita —, e seguimos por algumas ruas até um beco. Onde havia uma moto.

— Você só pode estar brincando.

Marreta já estava subindo nela.

Fiquei parado por um segundo a mais do que deveria. Olhei para a moto, olhei para ele, olhei para a rua, fiz as contas do que as minhas opções eram naquele momento.

— Vai ficar aí moscando?

Suspirei e subi na garupa.

Capacete, claro, não havia nenhum. Nem para mim, nem para ele. Fiquei um segundo me perguntando se o Marreta tinha algum tipo de preocupação com ser parado por infração de trânsito, sendo que ser parado por um policial e acabar preso por razões muito maiores do que falta de capacete era, objetivamente, o pior cenário possível para um traficante de alto escalão em circulação. A resposta chegou quando ele acelerou.

Ele não estava se importando com regras, fossem elas quais fossem.

Fomos a toda velocidade por boa parte do caminho... Ruas que eu não conseguia identificar, curvas que eu sentia mais do que via, o barulho do motor enchendo tudo ao redor de um jeito que tornava qualquer pensamento organizado basicamente impossível. Eu me agarrava ao selim com uma mão e segurava a maleta com a outra, tentando manter as duas coisas ao mesmo tempo enquanto o vento batia no rosto com força.

Por um lado, era bom. Eu queria chegar logo até a Zara, queria que cada segundo contasse, queria que a progesterona chegasse antes que o sangramento piorasse além do que eu podia tratar sem equipamento. Por outro, eu esperava chegar vivo até ela, o que parecia uma expectativa razoável, mas que a velocidade do Marreta tornava cada vez menos garantida a cada curva que ele fazia sem reduzir.

Quando ele finalmente freou, meu coração ainda estava alguns segundos atrás.

— Desce.

Olhei ao redor. Não estávamos no morro. Estávamos numa rua que eu não reconhecia, num ponto que não fazia sentido como destino.

— O que? Eu não vou descer antes de chegar até a Zara e...

— DESCE, PORRA!

Desci. Ele também desceu. E então tirou do bolso do moletom uma espécie de máscara de tecido grosso, escuro, do tipo que cobre completamente o rosto deixando apenas uma abertura pequena na altura do nariz para respirar.

— Coloca.

Olhei para aquilo.

Havia uma lista de coisas que eu não imaginava fazer voluntariamente na minha vida, e vestir uma máscara que me impedia de ver e de falar enquanto estava diante de um traficante numa rua desconhecida de madrugada estava bem no topo dessa lista. Mas havia também a Zara, sangrando, esperando por mim em algum lugar que eu não sabia onde, com um bebê que corria risco a cada hora que passava.

Aquilo era o único caminho até ela.

Capítulo 135 1

Capítulo 135 2

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