Entrar Via

INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 134

~ ALÍCIA ~

Dei um passo para trás com a intenção de correr.

Não deu tempo. No segundo seguinte o Marreta já estava cara a cara comigo, a arma por baixo do moletom fazendo uma pressão discreta, mas absolutamente clara contra o meu lado esquerdo. Não precisava estar visível para ser real.

— Então a Zara pagou pra ver e te deu o mapa pra tu ralar, foi isso mermo?

Não respondi. Na verdade, estava me segurando para não fazer xixi nas calças de tanto medo, e articular uma resposta era uma demanda demais para o estado atual do meu sistema nervoso. Fiquei parada, olhando para ele, tentando que a minha expressão não revelasse exatamente o quão perto do colapso eu estava.

Foi quando senti os dedos de Samuel se entrelaçando aos meus, tentando me acalmar de alguma forma.

Ouvi a voz do Arthur de algum lugar — ele estava saindo do elevador também, ou talvez já estivesse na garagem, eu não tinha processado direito — tentando intervir, dizendo que não era o momento para aquilo.

Marreta não se moveu. Continuava completamente focado em mim, avaliando uma situação antes de decidir o que fazer com ela. E então ele riu.

Não era o tipo de risada que soava meio ameaçadora. Era genuinamente divertida, o que de alguma forma era mais perturbador do que qualquer ameaça direta poderia ser.

— Pô, aquela garota é cria, não tem como — Disse, uma admiração torta de quem reconhece algo de si mesmo em outra pessoa. — Tinha que tá lado a lado comigo, não batendo de frente na pista.

Depois olhou para Samuel, voltando ao seu estado ameaçador.

— Se tu pisar no complexo de novo, tu vai virar saudade. Papo reto — disse simplesmente. Depois voltou para mim. — Se meu vulgo ou o dos meus homens chegar em terceiro, tu tá na vala. Escutou o proceder?

— Sim, senhor Marreta. — As palavras saíram automaticamente, como um reflexo de autopreservação que o cérebro ativou antes do filtro chegar.

— Se eu brotar com um de vocês dois na minha...

— Eles morrem. — Arthur completou, com uma impaciência controlada. — Ficou claro. Podemos ir até a Zara agora?

— Bora.

— Arthur — puxei o braço dele só o suficiente para criar meio metro de distância entre eles e nós. Queria dizer alguma coisa, mas as palavras não estavam chegando na ordem certa. — Eu pensei... eu queria... ela me ajudou a escapar, e eu...

— Eu sei. — Ele disse aquilo antes que eu terminasse, sem precisar que eu completasse as frases, o que era estranho porque eu mesma não sabia o que estava tentando dizer. — Você veio me alertar. Eu agradeço por isso. Mas a Zara é esperta e conseguiu que ele viesse buscar minha ajuda antes. — Pausou, olhando diretamente nos meus olhos. — Não se mete mais nisso, Alícia. Não precisa acionar polícia, não precisa fazer nada. Fica bem, fica segura. Sobe, o Thomas vai te ajudar. Come alguma coisa, descansa. Fica lá até sua mãe vir te buscar. Ela está desesperada com o seu sumiço.

Fiquei olhando para ele por um segundo.

Arthur Sartori, que eu tinha passado anos achando que era o tipo de homem que você admira de longe mas não consegue gostar de perto — frio, controlado, sempre parecendo estar numa categoria diferente de pessoa —, estava parado numa garagem às três da manhã com uma maleta de médico na mão, os olhos com aquelas olheiras de quem não dormiu direito em dias, e prestes a seguir um traficante armado até um cativeiro para salvar a mulher com quem se casou por contrato e de quem, ficava cada vez mais claro, não tinha se casado só por contrato.

Senti uma vontade completamente inesperada de abraçá-lo. O que era, objetivamente, a reação mais estranha que eu tinha tido naquelas quarenta e oito horas. E a lista de concorrentes era considerável.

— Salva a Zara. — Minha voz saiu mais baixa do que eu pretendia. — Quero dizer... não somos amigas. Mas quero vê-la outra vez.

— Vou trazê-la de volta.

Capítulo 134 1

Capítulo 134 2

Verify captcha to read the content.VERIFYCAPTCHA_LABEL

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO