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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 139

~ ARTHUR ~

— Já é, então — Marreta disse, com uma frieza de quem acabou de tomar uma decisão que não pretende revisitar. — Mas a responsa agora é tua. O que acontecer com a garota vai cair tudo na tua conta, papo reto.

— Tudo bem.

Concordei não porque eu podia arcar com aquela consequência. Mas porque tirar a Zara dali era o necessário, e às vezes o necessário e o seguro são coisas diferentes e você não tem o luxo de esperar que coincidam.

O Marreta fez um gesto para um dos seus homens — o que tinha um curativo enorme na parte de trás da cabeça e uma expressão que deixava claro que não estava satisfeito com a situação nem com a vida em geral. O homem confirmou com um movimento de cabeça e saiu pela porta.

— Pega a garota. — O Marreta foi atrás do homem, sem olhar para trás.

Voltei ao quarto. A Zara estava deitada, mais pálida do que quando eu tinha saído. Fui até ela, passei o braço por baixo dos ombros e a ajudei a se levantar. Ela mal conseguia ficar de pé sozinha, o peso dela veio para mim de forma natural, e eu deixei.

Quando saímos pela porta da frente do cativeiro, o carro já estava esperando. Ajudei a Zara a entrar pelo lado direito, dei a volta, entrei pelo esquerdo. Ela se deitou imediatamente no banco, a cabeça no meu colo, os olhos fechados tentando esconder o esforço de quem está tentando controlar a dor pela respiração.

Na frente, o capanga do Marreta estava no volante. Marreta, no banco do passageiro, se virou logo depois que o carro se colocou em movimento e estendeu para trás duas máscaras — o mesmo modelo das que eu tinha usado na vinda, tecido grosso, visão completamente bloqueada.

Coloquei a da Zara primeiro. Ela protestou com um som baixo mas não resistiu. Depois coloquei a minha.

Segurei a mão dela com firmeza.

— Tudo bem. Eu estou aqui.

— Não me deixa. — A voz dela veio abafada pelo tecido, pequena.

— Não vou te deixar.

O carro seguiu. Eu ia acompanhando o trajeto pelo que conseguia sentir — acelerações, freadas, curvas, o som da rua mudando. Em algum ponto passamos por um quebra-molas que fez a Zara soltar um gritinho abafado que me fez apertar a mão dela. Ela apertou de volta.

Foi quando o primeiro tiro aconteceu.

Seco, distante, mas inconfundível.

Depois outro. Mais perto.

Depois um terceiro que pareceu vir de dentro do próprio carro, junto com uma manobra violenta que jogou nós dois de um lado para o outro no banco traseiro. Foda-se, arranquei a máscara. A Zara já estava sem a dela.

— O que tá acontecendo?

Empurrei a Zara para baixo, para o chão do carro, cobrindo ela com meu próprio corpo enquanto tentava entender de onde vinham os tiros.

— O bicho tá pegando. — O Marreta disse, com a calma absurda de quem está acostumado. — Eu avisei que dar o rolê fora da favela ia dar ruim. Agora segura o B.O.

— Mas como? Só se alguém...

— Deu a letra. — Ele completou.

Capítulo 139 1

Capítulo 139 2

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