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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 145

~ GEÓRGIA ~

Espera aí... Espera aí! Eu estava entendo bem? Leonora estava propondo um...

— Assassinato? — A voz da Genevieve cortou meu pensamento antes que eu terminasse de formá-lo. — Você está me propondo cometer um assassinato?

Sim. Eu estava entendendo bem. E aparentemente a Genevieve também.

Continuei agachada, os joelhos no chão frio, as mãos apertadas nas bordas das partituras à minha frente como se precisasse de alguma coisa física para não flutuar para fora do próprio corpo. Porque era isso que estava acontecendo, aquela dissociação de quando a realidade apresenta algo que não cabe na versão de mundo que você tinha até cinco minutos atrás. Eu tinha subido ali para buscar uma partitura. E agora estava escondida num mezanino ouvindo duas mulheres discutirem os detalhes de um assassinato como se fosse uma reunião de planejamento de evento.

— Por favor, querida. — A voz da Leonora soou com aquela paciência de quem está explicando algo óbvio para alguém lento. — Não era como se você não soubesse que tirar a Zara da equação terminaria desse jeito. Ainda mais quando você a entregou aos inimigos do pai dela. O que esperava? Que eles a mandassem numa viagem sem volta para a Disney? — Ela fez uma pausa, não como se estivesse esperando uma resposta de verdade. — Pois é. Aqui vai um choque de realidade para você: a Disney de pessoas como a Zara é no inferno. E é para lá que ela precisa ir.

O peso daquela fala fez até a Genevieve ficar em silêncio por alguns instantes.

E por um segundo — um segundo idiota, eu sabia que era idiota — eu quase consegui imaginar a Genevieve que eu achava que conhecia. A Genevieve elegante, de voz suave, que sabia dizer a coisa certa no momento certo, que aparecia com dois cafés na mão e sorria daquele jeito que fazia todo mundo se sentir bem-vindo. Parada ali tão chocada quanto eu. Como se tivesse acabado de entender o que estava acontecendo. Como se estivesse no lugar errado por engano.

Então ela voltou a falar.

— Eu sei. — A voz saiu fria, sem o choque que eu tinha esperado. — Eu só não esperava que tivesse que... que usar minhas próprias mãos. Eu não sou uma... não sou...

— Somos o que precisamos ser.

A imagem da Genevieve que eu tinha construído desmoronou de uma vez. Não lentamente, não em partes — de uma vez, como estrutura que perde o ponto de apoio certo e vai toda ao mesmo tempo.

— E como matar a Zara vai me ajudar a ficar com o Arthur? — A voz dela ficou mais tensa. — Ele vai me odiar para sempre. Eu vou ser presa!

A Leonora soltou uma gargalhada que fez a minha espinha arrepiar de uma forma que eu não lembrava ter sentido antes. Não de frio, não de medo exatamente, mas aquele tipo de arrepio que vem quando você percebe que está ouvindo alguém que não tem nenhum dos freios que as pessoas normais têm.

— Querida, achei que a parte de não ser pega estivesse óbvia para você. Preciso desenhar? Como disse, facilito a sua entrada. A culpa pode recair em algum erro médico. — Fez mais uma pausa dramática. — Seja criativa.

Ouvi o som da Genevieve se jogando contra o encosto do sofá, um bufo longo e pesado de quem está calculando se o que está sendo proposto vale o que custa. E que estava, aparentemente, levando aquele cálculo a sério.

Capítulo 145 1

Capítulo 145 2

Capítulo 145 3

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