— Genevieve Bragança presa em um quartinho na favela — Alícia olhava fixo para a estrada na frente, enquanto dirigia de volta para a fazenda, a janela entreaberta com o vento entrando e bagunçando o cabelo dos dois lados. — Juro, Zara, essa foi uma das experiências mais traumáticas da minha vida e eu não desejaria nem pra... — ela parou. — Ah, puta que pariu, a quem estou tentando enganar? — Soltou uma gargalhada. — Desejo sim pra aquela vaca.
Ri de volta. Havia algo ali que era catártico, rir da Genevieve enquanto seguíamos de volta com o que tínhamos conseguido. A conversa tinha sido difícil, tinha custado mais do que eu esperava. Mas estávamos saindo de lá com o que fomos buscar. Com o acordo feito. Com a Genevieve comprometida a depor. Era o suficiente por enquanto, e eu ia aprender a aceitar suficiente sem ficar esperando perfeito.
— Não é como se ela estivesse em risco ou coisa assim, pelo contrário. O Marreta está mantendo ela segura por enquanto. Até o depoimento.
Bastou algumas ligações. Não diretamente pra Marreta, eu não tinha o número dele. Mas um certo agiota, que tinha roubado um anel de noivado que era meu por direito, soube exatamente como fazer aquilo acontecer. E logo Genevieve e sua mãe, estavam deixando aquele casarão gigante, rumo a um lugar que certamente elas nunca mais esqueceriam. Ainda assim, era proteção.
— E quanto tempo vai demorar isso? Uma semana? Um mês? Um ano? Por favor me diz que um ano.
Rimos de novo.
— Porque mais do que eu adorasse deixar a Genevieve levar uma vida na favela por um ano pra ver como ela se sairia... Arthur disse que vai correr para juntar o máximo de provas possíveis no menor tempo. — Me virei para ela. — Vai dar certo, Alícia. Vamos limpar seu nome, vamos recuperar tudo o que era do meu avô, e um dia Arthur e eu vamos tocar aquele hospital com o mesmo carinho e dedicação que o Augusto tocou. Vai dar certo.
— Desde que tenha uma vaguinha pra mim lá. — Ela deu de ombros, mas havia algo genuíno embaixo do tom descompromissado.
— Não sei. Você certamente não se encaixaria na vaga de amigos e família, se encaixaria?
— Não. Não somos amigas.
— Então vai ter que lutar muito pra me superar na faculdade e conseguir essa vaga por mérito próprio.
Eu estava brincado, é claro. Primeiro que ninguém entrava naquele hospital se não fosse bom o suficiente pra isso. Segundo que, Alícia certamente era.
— Depois de todo esse tempo de aula que estamos perdendo? Certamente vamos ter que lutar muito para superar até aquele povo da “medicina natural”. — Ela fez as aspas com uma das mãos, sem tirar a outra do volante. — Estamos bem ferradas.
— Já estamos ferradas em tantos aspectos da vida que a faculdade nem consegue ocupar posição na minha cabeça no momento.
— Touché. — Ela concordou. — Mas não mais ferradas do que a Genevieve.
— Definitivamente estou começando a acreditar em karma.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO