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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 34

Acordei devagar, sem saber exatamente onde estava, mas com a nítida sensação de que estava quente demais para ser minha cama e confortável demais para ser o chão.

Foi o cheiro que me traiu primeiro.

Sândalo.

Meu corpo ainda nem tinha entendido a informação por completo quando se espreguiçou por puro reflexo, procurando mais conforto, e foi então que eu senti com clareza o peso do braço dele passado sobre os meus ombros.

Congelei.

Abri os olhos de uma vez.

Estávamos no sofá do escritório dele. As velas tinham morrido em algum momento da madrugada, deixando só uma luz pálida de manhã entrando pela janela. Eu estava meio inclinada contra o corpo dele, e Arthur, aquele homem irritante, controlador e absurdamente bonito, dormia com a cabeça levemente virada para a minha e a respiração calma de quem claramente não tinha qualquer preocupação em acordar com uma pessoa grudada nele.

Meu coração deu um salto.

Não porque tivesse acontecido alguma coisa.

Não tinha acontecido nada.

Nós só tínhamos ficado ali, conversando. Até, em algum momento entre a chuva, o cansaço e o uísque, o sono deve ter vencido nós dois.

Mas ainda assim.

Ainda assim.

Saí do sofá tão rápido que quase tropecei na mesa de centro.

Arthur despertou no susto, levando a mão ao encosto do sofá como se procurasse apoio.

— O que foi?

— A hora! — quase guinchei, já passando a mão no cabelo. — Meu Deus, eu perdi a hora. Eu tenho faculdade. Tenho teste no primeiro tempo. Eu...

Arthur olhou para o relógio no pulso, ainda com cara de sono, e depois para mim.

— Relaxa. Estamos com tempo.

— Estamos?

— Estamos. — Ele se sentou melhor, esfregando a nuca. — Me dá dez minutos e eu te deixo lá.

Abri a boca para dizer que não precisava, que eu me virava, que podia ir de ônibus, que podia chamar o motorista, que podia, sei lá, correr até a faculdade se fosse necessário. Mas eu realmente tinha um teste no primeiro tempo, e de ônibus eu não chegaria a tempo de jeito nenhum. E, até o motorista do meu avô ser acionado, eu provavelmente já estaria perdendo metade da prova.

Suspirei.

— Tudo bem. Obrigada.

Arthur só assentiu com a cabeça, já se levantando.

Eu subi correndo para o quarto, tomei o banho mais rápido da história, me vesti em tempo recorde e desci ainda ajeitando a bolsa no ombro.

Encontrei Arthur já no pátio da frente, encostado no carro.

Olhei para o carro.

Depois para ele.

Depois de novo para o carro.

— Um Jaguar XJS? Sério?

Arthur abriu a porta do passageiro para mim com aquele ar de quem já estava prevendo crítica.

— Já viu um desses no trânsito?

Entrei, ajeitando a bolsa no colo.

— Não, na verdade. Mas não costumo fazer levantamento estatístico de milionário nostálgico.

Ele deu a volta, entrou do outro lado e ligou o motor com uma satisfação que me pareceu pessoal demais.

— Justamente. Ninguém vê um desses no trânsito. E quando vê, é possível não parar para olhar. E aí você abre caminho e ultrapassa. Com essa técnica, é quase mais eficaz que a velocidade de uma Ferrari para quando estou atrasado.

Puxei o cinto, me ajeitando no banco.

— Por favor, nunca me dê carona em uma Ferrari.

Arthur lançou um olhar rápido para mim antes de arrancar com o carro.

— Agora eu vou fazer isso com toda certeza.

O trajeto foi feito praticamente em silêncio. Talvez porque os dois soubéssemos que tocar no assunto da noite anterior significaria admitir que tinha sido bom demais acordar daquele jeito.

Quando estávamos chegando perto da faculdade, vi o portão principal ao longe e senti meu estômago apertar.

— Escuta... — comecei, sem encará-lo. — Você pode me deixar por aqui, tá? Não precisa me levar até a entrada.

Arthur diminuiu um pouco a velocidade, mas não respondeu de imediato.

— O quê? Por quê?

— Nada, não. É só que... eu prefiro que...

Não completei.

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