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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 68

Eu estava tentando parecer normal. Estava tentando respirar de um jeito que não entregasse que meu corpo inteiro estava traindo minha tentativa de parecer uma pessoa funcional, mas o tremor nos dedos era pequeno demais para eu controlar e grande demais para passar despercebido.

A mão de Arthur, ainda segurando a minha, deu um leve apertão. Um apertão que entendi como “tudo bem, está tudo sob controle”.

Mas eu não sentia que nada estava controlado.

E então ele falou.

— Policial Lima, minha noiva passou por um momento traumático com uma arma apontada para a cabeça dela — a voz saiu com aquela calma de médico em emergência, firme e sem espaço para contestação. — Estive a tarde toda tentando distrai-la um pouco, mas, como pode ver, só de mencionar o assunto ela começa a ter uma crise nervosa. Então, agradeço pelo serviço que vocês vêm fazendo, mas não. Ela não vai depor. Prefiro resguardar a saúde dela nesse momento.

— Entendemos a situação, senhor Sartori — o policial disse, com aquela paciência treinada de quem já ouviu muita recusa. — Mas o depoimento da senhorita seria de grande valia para o andamento do caso. Se pudermos apenas...

— Mas não podemos — Arthur cortou, sem alterar nem um decibel do tom. — Se precisarem de mais detalhes ou de um novo depoimento, eu colaboro. Zara, sobe.

Não pensei duas vezes.

Soltei a mão dele e subi as escadas numa velocidade que provavelmente não era o que se esperava de uma mulher em estado de crise nervosa, mas era o máximo de dignidade que eu conseguia oferecer naquele momento. Fechei a porta do quarto atrás de mim e encostei as costas na madeira, ficando assim por um segundo, só ouvindo o próprio coração tentando se regular.

Arthur não era besta.

Ele sabia. E eu sabia que ele sabia, porque havia aquela coisa nos olhos dele enquanto falava com o policial... aquela atenção dividida de quem está resolvendo um problema e simultaneamente catalogando outro. Ele sabia que meu nervosismo não era por ter tido uma arma apontada para a minha cabeça. Aquela nem tinha sido a primeira vez que eu encarei uma arma, e ele provavelmente já tinha percebido isso também.

Ele ia querer saber o motivo real.

A questão era: até onde eu estava disposta a contar a verdade? E até onde eu estava disposta a mentir?

Precisava de ajuda. Precisava de uma coisa que eu raramente tive antes na vida: uma amiga de verdade para ligar num momento exatamente como aquele.

Peguei o celular, me tranquei no banheiro e liguei para a Genevieve.

Ela atendeu no segundo toque, com aquela voz animada de quem estava esperando novidades e ia gostar do que ia ouvir.

— Como estão as coisas por aí?

— Hum... — Sentei na borda da banheira, passando a mão no cabelo ainda bagunçado do lago. — Eu não sei exatamente por onde começar. Pelo assalto ou pelo sexo.

Silêncio de dois segundos exatos.

— O quê? — A voz dela subiu um tom. — Vocês dormiram juntos, mas... espera... vocês foram assaltados? — Uma pausa maior. — Zara, sua vida é uma novela.

— Minha vida é um romance policial. — Me levantei, andando de um lado para o outro tanto quanto o banheiro permitia. — Porque nesse exato momento tem dois policiais lá embaixo conversando com Arthur e eu não posso nem chegar perto.

— Você ainda não contou para ele, contou?

— Bem... não.

— Zara. — A voz dela ficou séria de um jeito que me fez parar de andar. — Você sabe o quanto eu sou adepta da verdade. Mas não se isso coloca a vida do Arthur em risco. Você não pode...

— Eu sei, eu sei. — Suspirei, apoiando a testa na parede fria do banheiro. — Mas ele vai querer saber. E eu vou ter que responder alguma coisa. O que eu faço? Distraio ele com sexo?

Disse aquilo meio brincando, esperando uma risada do outro lado. Mas Genevieve respondeu rápido e séria demais.

— Isso não ia funcionar.

Parei.

Ela tinha dito que nunca tinham tido nada de verdade entre eles. Então como poderia saber?

Capítulo 68 1

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