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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 67

Ficamos tanto tempo naquele lago que o sol já estava descendo quando começamos a retornar para a sede da fazenda. A luz tinha ficado daquela cor laranja baixa que faz tudo parecer um pouco mais bonito do que é, e o caminho de terra de volta estava marcado por nossas próprias pegadas da ida, o que por algum motivo me pareceu poético demais para comentar em voz alta.

Se eu parasse para pensar — e estava parando, porque o caminho era longo e o silêncio entre nós tinha ficado daquele tipo que convida ao pensamento — o que tinha acontecido entre nós naquele lago não tinha sido sobre romance.

Tinha sido sobre desejo. Sobre aquela atração que existia desde o jardim do Hotel Milani, desde a primeira vez que nos olhamos e eu já sabia que aquele homem era um problema. E sim, tinha muito desejo ali, e eu não ia fingir que não.

Mas também não era só isso.

Porque o jeito como Arthur tinha dito que queria se casar comigo de verdade era algo que eu também sentia. Algo que eu ainda não entendia direto o porquê, mas que estava lá. Quieto e teimoso, recusando ser ignorado.

— Quero ver os cavalos — falei, enquanto voltávamos pelo caminho de terra. — Quero ver se você é tão bom em equitação quanto fala.

— E você entende alguma coisa de hipismo para poder julgar?

— Sobre hipismo? Não. Sobre julgar? O tempo todo.

Ele riu, eu ri, e continuamos caminhando lado a lado com nossas mãos se esbarrando levemente a cada passo. Nenhum dos dois se afastava o suficiente para evitar. Nenhum dos dois segurava de vez. Ficava naquele meio-termo honesto que dizia mais do que qualquer uma das outras opções diria.

— E você? Costumava cavalgar quando morava na fazenda?

— Ah não. Minha mãe não gostava que eu mexesse nas coisas dos patrões. Lago tudo bem, mas cavalo, piscina, quadra... ela não deixava chegar perto desse tipo de coisas. Às vezes eu ia pras plantações ajudar na colheita. Achava divertido.

Ele me olhou com aquele carinho quieto de quem entende sem precisar que você explique mais. Não disse nada sobre a diferença entre as nossas infâncias, o que eu apreciei.

— Roda de fogueira — ele disse, depois de um momento.

— O quê?

— Uma das minhas melhores memórias daqui. Todos reunidos em volta de uma fogueira, milho feito na hora, violão, cantoria.

Ele disse aquilo com um sorriso de saudade.

— Deixa eu adivinhar — provoquei, suavemente. — Você era excelente no violão.

— Eu não passava vergonha. — Pausa. — Mas sabe quem era bom mesmo? O padrinho.

— Sério?

— Seríssimo. — Havia uma ternura na voz dele quando falava do Augusto que sempre me desarmava um pouco. — Qualquer dia a gente volta aqui com ele e...

Ele se calou.

Eu entendi dois segundos depois, quando meus olhos alcançaram o que os dele já tinham visto.

Um carro da polícia parado na frente da sede.

— O que foi? — Arthur perguntou.

Provavelmente eu tinha demonstrado alguma coisa no rosto. Do contrário ele não teria perguntado assim, do nada, olhando para mim em vez de para o carro.

Capítulo 67 1

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