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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 7

— Quinhentos mil.

Eu precisava aceitar. A vida inteira eu tentei fazer as coisas do jeitinho que uma boa garota faria. E tudo o que ganhei com isso foram humilhação, cansaço e porta fechada na cara. Dinheiro abria essas portas. Eu tinha aprendido isso muito bem convivendo com gente que nunca me deixava esquecer. Aquela era a minha chance de sair do fundo do poço que era a minha vida. E eu não ia desperdiçar.

— Fechado.

Ele respondeu tão rápido que uma voz lá no fundo da minha cabeça me fez questionar, com a calma irritante, se eu não devia ter pedido mais. Eu apenas fiquei ali, sem saber o que dizer.

Arthur caminho mais para dentro do quarto rindo baixinho. Ele foi até a janela e olhou para o jardim lá embaixo. Suas mãos estavam nos bolsos, e seus ombros estavam relaxados, como se tivesse acabado de fechar um negócio simples.

Ele parecia satisfeito.

— É como dizem, não é? — Ele falou sem virar o rosto. — Todo o mundo tem um preço.

Eu não respondi. Fiquei parada ao lado da porta, querendo sair, mas não conseguindo evitar olhar para o quarto pela última vez.

Eu queria saber, eu realmente queria. Eu sentia a vontade no fundo do estômago. Precisava entender o que aquilo tudo significava, o que era aquele museu congelado no tempo e, especialmente, o que aquela foto fazia ali,

Mas...

Eu segurei o pensamento pelo pescoço antes que ele fosse longe demais.

Eu convivi com a minha mãe quando ela já era adulta. A lembrança que eu tenho da minha mãe é de cheiro, de voz, de mãos. Eu não lembro do seu rosto quando era mais jovem.

E as pessoas são parecidas, acontece o tempo todo. Rostos se repetiam no mundo como se o universo não tivesse criatividade suficiente para fazer todos diferentes. Eu podia estar vendo semelhança onde havia apenas coincidência, e a situação toda tinha ingredientes demais para uma mente cansada começar a construir histórias.

Além disso, a minha mãe sempre foi muito clara. Os pais dela morreram jovens. Os dois. A minha mãe não tinha família, não tinha raízes, não tinha ninguém além de mim, e eu não tinha ninguém além dela. Não era um ponto faltando na história, era a história inteira.

Tudo aquilo não passava da ilusão da cabeça de um idoso. Ele parecia uma pessoa boa, mas a confusão mental nos idosos não era rara. As sinapses misturavam o desejo com a realidade, e a fronteira entre a ilusão e a realidade ficava tão fina que se tornava difícil enxergar. O mais sensato era reconhecer isso, ser grata pela gentileza do encontro, e cair fora antes de me tornar parte do problema.

Quinhentos mil.

Eu me deixei calcular em silêncio.

Dívidas quitadas. Um apartamento pequeno, longe da favela, em algum bairro onde eu pudesse chegar em casa tarde da noite sem sentir aquele frio específico na nuca. Tempo suficiente para terminar o curso, passar na residência, conseguir emprego na área. Uma vida que eu tinha construído tijolo por tijolo com notas altas e olheiras fundas e marmitas frias comidas entre bico e outro.

Era a coisa certa a fazer.

Virei para a porta. Coloquei a mão na maçaneta. O metal frio tocou os dedos.

E parei.

Não sei bem o que foi. Talvez o quarto. Talvez a foto. Talvez só o meu orgulho, que nunca soube sair calado de lugar nenhum.

Capítulo 7 1

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