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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 8

— Não, não existe — a resposta veio de Arthur, soando mais irritado do que provavelmente gostaria de parecer.

— Se existe dúvida, um exame de DNA resolve — o médico respondeu com a tranquilidade de quem parecia estar me oferecendo café. — Cientificamente, é muito fácil esclarecer.

Fácil.

Claro.

Meu problema era exatamente esse: para os ricos, tudo parecia fácil. O talento para resolver problemas usando dinheiro devia vir do berço, junto com o ar de arrogância.

Arthur estava em silêncio ao meu lado, o maxilar travado entregando que sua cabeça estava funcionando rápido demais e gostando de menos das conclusões que estava chegando.

— Ótimo — eu disse, cruzando os braços. — Então vamos fazer isso e...

— Bobagem!

A voz de Augusto veio do fim do corredor, fazendo com que nós três nos virássemos juntos, quase como em uma coreografia não ensaiada. Ele estava saindo do quarto, com a expressão firme e ofendida.

— Essa menina é minha neta e eu não preciso de um pedaço de papel para confirmar o que posso ver nos olhos dela.

Meu coração deu uma tropeçada idiota dentro do peito. Ele falava como se aquilo fosse a verdade mais simples do mundo. E isso não deveria me incomodar, se uma parte inconveniente e completamente sem noção de mim não quisesse acreditar também.

“Para com isso, Zara!” — briguei comigo mesma em minha mente. — “Ele tem motivos para estar confuso, você não!”

Augusto virou para o médico.

— Henrique, você fica para o almoço?

— Sinto muito, senhor Augusto, mas preciso voltar para a clínica. Só passei para avaliá-lo e me certificar de que estava bem.

— Então seremos só nós três — Augusto concluiu, sorrindo na minha direção.

Eu abri a boca.

— Na verdade, eu também já preciso ir...

— Não precisa, não — ele retrucou no mesmo instante. — Você acabou de aparecer na minha vida. Não vai fugir antes do almoço.

— Mas eu...

— Considere um agradecimento — ele disse, entrelaçando o braço dele no meu e me guiando escada abaixo. — Por ter me tirado daquele lago.

Tá, tudo bem. Não era como se eu não estivesse com fome. E provavelmente tudo que eu teria esperado por mim em casa era um miojo. Eu odiava miojo.

— Acho que posso... ficar mais um pouco... — respondi, evitando olhar para Arthur. Ele provavelmente estava tentando me fuzilar com os olhos até minha cabeça explodir.

Se alguém algum dia quiser me torturar sem deixar marcas, eu já tenho a sugestão perfeita: me botem numa mesa de almoço de milionário com um homem que me odeia, um velho que acha que sou neta dele e dezessete talheres diferentes para eu descobrir sozinha qual deles serve para matar um playboyzinho idiota e qual serve para comer peixe.

A sala de refeições estava tão bonita que parecia uma cena de filme. Mesa comprida, arranjo de flores que devia custar o preço de uma moto, louça tão fina que dava medo de respirar perto, e taças. Muitas taças. Tinha taça para água, taça para vinho, taça para outra água que provavelmente tinha sido engarrafada por virgens em montanhas da Suíça em uma noite de lua cheia.

Arthur puxou minha cadeira com calma, educação e um deboche moral.

— Obrigada — murmurei, seca.

— Disponha — ele respondeu no mesmo tom.

Augusto, ao contrário, estava radiante demais para notar o clima de guerra fria.

— Zara, querida, espero que goste de frutos do mar. Pedi uma entrada leve.

A entrada leve chegou e tinha a aparência exata de alguma coisa que um pescador jogaria de volta para o mar.

Ostra.

Crua.

Num prato que parecia mais joia do que louça.

Eu encarei o negócio brilhante e úmido na concha como quem encara um paciente na mesa de cirurgia.

— Precisa de ajuda? — Arthur perguntou, de uma forma polida, mas que nada tinha de educação. Ele parecia quase satisfeito em provar pra mim mesma que eu não pertencia àquele lugar. Não precisava. Eu sabia. Mas eu não caia sem lutar.

— Não — respondi, pegando o mesmo talher que vi o senhor Augusto usando. — Eu consigo lidar com um... molusco.

— Corajosa.

Ele sorriu daquele jeito irritante e bonito demais para alguém com caráter tão questionável.

Tentei repetir discretamente o movimento que tinha visto Augusto fazer. A teoria parecia simples. A prática terminou com a ostra escapando, a concha virando ligeiramente na minha mão e um jato de molho e água salgada acertando em cheio a camisa de Arthur.

Silêncio.

O tipo de silêncio que para o tempo, quebra a dignidade e merece trilha sonora.

Eu congelei.

Augusto tossiu para esconder a risada.

Arthur olhou para a mancha no peito. Depois para mim.

— Impressionante — ele disse, muito calmo. — Você consegue transformar frutos do mar em arma.

Capítulo 8 1

Capítulo 8 2

Capítulo 8 3

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