~ ARTHUR ~
Racionalmente, eu sabia que Thomas tinha razão. E, na verdade, aquela ideia nem tinha vindo dele primeiro. Tinha vindo de mim. Eu me lembrava da conversa no escritório, depois que a Alícia tinha plantado aquela sementinha sobre a Zara ter contatos no hospital onde o teste de parentesco tinha sido feito.
— Acho que deveríamos refazer. Aqui. Em um lugar neutro.
Thomas tinha me olhado por cima do café.
— Acha que ela está mentindo sobre quem é?
— Eu não sei. — Tinha sido honesto porque era Thomas e eu não precisava ser outra coisa com ele. — Toda vez que vejo ela e o Augusto, o que ela sente por ele me parece sincero. A história dela b**e com a história de vida do Augusto e da filha. Mas...
— Mas tem uma voz lá no fundo — ele entendeu sem que eu precisasse dizer.
— Conheci a Zara antes de saber quem ela era. Todo mundo dizendo que era golpista. Não que eu simplesmente acredite em fofoca. Prefiro dar o privilégio da dúvida. Mas que privilégio seria maior do que simplesmente refazer o exame em um lugar seguro para confirmar?
— É justo. Peça que ela refaça.
Mas eu nunca tinha tido coragem de pedir. Não sabia como a Zara ia reagir a isso. Como desconfiança. Como mais uma pessoa esperando o pior dela, mais uma pessoa que precisava de prova antes de acreditar.
E agora tínhamos cruzado todos os limites possíveis. Eu tinha dormido com ela.
Ok, eu já tinha feito isso antes. Mas antes tinha sido diferente. Antes tinha sido como era com tantas outras garotas — algo que acontecia e terminava sem deixar muito peso, sem criar nada que eu precisasse administrar depois. Antes não havia sentimentos complexos se misturando com contratos frios e dúvidas que não deveriam estar lá.
Antes não havia uma mulher que socava pessoas no nariz, que enfiava cachorro-quente na boca de alguém em festas de gala e que subia em árvores para pegar sinal de celular depois de ser assaltada. Que arrumava carro quebrado melhor do que a maioria dos mecânicos. Que se abria sobre a vida dela com aquela voz baixa e firme de quem está contando uma história pesada como se não fosse nada para se importar. Que dividia a cama com calma e dormia encostada no meu peito como se sempre tivesse feito aquilo.
Se eu magoasse os sentimentos dela com isso, e ela fosse simplesmente quem estava dizendo ser, ela não me perdoaria.
E eu me importava mais com essa possibilidade do que deveria.
Tinha dito a Thomas, durante a ligação de madrugada, que era sobre o Augusto. Que precisava garantir que o padrinho estivesse completamente protegido de tudo aquilo — do pai da Zara, das implicações de ter alguém com aquele histórico entrando na família. E era verdade. Era parte da verdade. A primeira coisa que eu tinha feito quando ela terminou de contar tudo foi verificar silenciosamente, pelo celular, se a segurança da mansão estava operando em nível máximo.
Mas não era só isso.
Tentei trabalhar. Abri o notebook, olhei para relatórios que tinham ficado atrasados por causa dessa viagem, e não consegui absorver uma linha. Fui ao banheiro, joguei água fria no rosto, fiquei olhando para o meu próprio reflexo por um tempo que não foi útil. Voltei ao quarto.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO