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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 74

Acordei surpreendentemente descansada, considerando tudo que tinha acontecido na noite anterior. A conversa no quarto, a madrugada, os fios de cabelo enrolados nos dedos dele... Coisas que, em qualquer outra circunstância, me fariam passar a noite olhando para o teto. Mas eu tinha tirado um peso das costas. Tinha contado a verdade. Tinha concordado com o exame. E meu corpo, aparentemente mais sábio do que minha cabeça na maioria das vezes, tinha interpretado isso como permissão para descansar.

Eu entendia, agora, por que o exame era necessário. Toda aquela história era uma loucura pura para quem via de fora. Um velho obcecado por encontrar uma neta que podia muito bem estar morta, que um dia voltou para casa depois de um acidente num lago de parque dizendo que tinha encontrado quem procurava. E ali estava eu, corroborando com o que parecia uma insanidade. Quem me olharia sem achar que era uma golpista?

Mas o exame ia dar positivo. E nossa vida ia seguir.

A porta do quarto abriu.

Arthur entrou empurrando um carrinho de café da manhã com a naturalidade de quem faz aquilo todos os dias, o que certamente não era o caso, mas ele tinha aquele dom de fazer qualquer coisa parecer intencional. Café, suco, pão de queijo, frios, frutas, croissants, pães variados — o suficiente para alimentar uma família pequena ou dois adultos que a Dona Conceição claramente achava que precisavam de muita energia para o domingo.

Olhei para o carrinho. Depois para ele.

— Desculpa, mas com quantas mulheres você acha que dividiu a cama essa noite?

Ele riu.

— Ainda não sei seus gostos de manhã.

— Café puro e forte para acordar. Às vezes nem preciso de nada para acompanhar, mas... — peguei um pão de queijo com a convicção de quem tomou uma decisão importante — jamais dispenso pão de queijo.

— Eu não poderia concordar mais. — Ele pegou um também, sentando-se na beira da cama. — Tenho uma surpresa para você depois do café.

— Que surpresa?

— Se eu falar, deixa de ser surpresa.

— Isso é a coisa mais irritante que alguém pode dizer.

— Eu sei.

Ele estava claramente se divertindo com aquilo, o que era irritante de um jeito que eu já tinha aceito como parte do pacote.

A surpresa era os cavalos.

Chegamos ao estábulo com o sol ainda baixo e o cheiro de capim e terra úmida, e eu fiquei parada na entrada olhando para os animais com uma mistura de admiração e cautela.

— Não — falei.

— Você nem sabe o que eu ia propor.

— Sei sim. E não.

— Zara...

— Arthur...

Ele me olhou com aquela paciência calculada.

— Só assista primeiro — disse ele, pegando as rédeas do seu cavalo com uma familiaridade que era óbvia antes mesmo de ele montar.

— Tudo bem. Vou ficar aqui, assistindo, com os dois pés no chão, que é onde eles pertencem.

Ele montou com aquela facilidade de quem fez aquilo a vida inteira e foi em direção aos obstáculos. E eu... bom, eu fiquei assistindo. Mas fui ficando quieta ao longo do processo, porque havia algo genuinamente bonito na forma como ele e o cavalo se moviam juntos, aquela sincronicidade de dois corpos que se conhecem bem.

— VAI ARTHUR! — gritei quando ele saltou o primeiro obstáculo, fazendo uma concha com as mãos na boca. — ISSO! MAIS UM!

Ele riu no meio do percurso, o que provavelmente não era tecnicamente adequado para hipismo de alto nível, mas funcionou para mim.

Capítulo 74 1

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